Sudão: Assinado acordo de transição para governo civil

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Ato de assinatura do acordo. Fonte: Sudan Vision.

O Conselho Militar de Transição (TMC, no acrônimo em inglês) e as Forças da Liberdade e Mudança (FFC , no acrônimo em inglês) assinaram ontem (17/08), sábado, um acordo histórico que abre caminho para uma transição para um governo liderado por civis.

Com informações de Sudan Vision.

O vice-presidente do Conselho Militar de Transição, tenente-general Mohamed Hamdan Daglo, assinou o acordo em nome do conselho, enquanto Ahmed Rabei assinou representando as Forças da Liberdade e Mudança.

Os que assinaram como testemunhas foram o primeiro-ministro etíope Abiy Ahmed; o chefe da comissão da União Africana Musa Faki; o ministro das Relações Exteriores da Finlândia, Pekka Haavisto, assinou em nome da União Européia; o primeiro-ministro egípcio Mustafa Madbuli; além do secretário-geral da Organização para a Cooperação Islâmica, Yousif Bin Ahmed Al Ethamin.

A assinatura final ocorreu na presença do presidente do Conselho Militar de Transição, tenente-general Abdel Fatah Al Buran Abdel Rahman; o presidente do Chade, Idris Debi; o presidente do Sudão do Sul, tenente-general Salva Kiir Mayardit; o presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta; e o presidente da República Centro-Africana, Faustin ArchangeTouadera; além do Ministro dos Negócios Estrangeiros da Arábia Saudita, Adil Al-Jubair, e funcionários de alto nível de países árabes e africanos, juntamente com as missões diplomáticas no Sudão e o representante da União Europeia.

De acordo com documentos assinados, serão emitidos decretos sobre a formação das estruturas do período interino, que incluem o conselho de soberania, o conselho de ministros e comissões para marcar o início da nova fase política no país.

O primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, disse, ao se dirigir aos presentes na cerimônia, que o acordo representa o início de uma nova era da história do Sudão, afirmando o compromisso de apoiar o Sudão durante o período de transição.

O presidente da comissão da União Africana, Moussa Faki, se dirigindo aos presentes, disse que o acordo iria providenciar um estágio de transição democrática no Sudão, acrescentando que o acordo poria fim às guerras, desastres e conflitos, e que a União Africana reconhece o tamanho dos desafios mencionados acima. Faki mostrou apreciação pelos esforços de seu representante, Mohamed El Hacen Lebbatt, que efetivou a assinatura final do acordo, bem como os esforços do enviado etíope, Mahmoud Dirir, que cooperou com eles para alcançar os objetivos finais.

O presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta, disse que a assinatura final dos documentos do período de transição abriria caminho para futuras soluções para as questões do Sudão. Ele disse que a ocasião foi um momento glorioso na história do Sudão e uma transição do conflito para a coalizão. Afirmou o apoio do seu país ao Sudão e exortou as partes sudanesas a participarem no processo pacificamente e a implementarem os itens do acordo, bem como a criar instituições nacionais. O presidente Kenyatta conclamou os sudaneses a considerarem os princípios do estado de direito e expressão da diversidade do povo sudanês para alcançarem a estabilidade política e assegurarem que os valores políticos procurados pelos pela população não sejam negligenciados, exortando-os a resolver os seus problemas através do diálogo e da diplomacia.

O presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir Mayardit, ressaltou que seu país permanecerá ao lado do Sudão para alcançar os objetivos do período intercalar e uma paz inclusiva e real. Ele acrescentou que seu país desempenhará um papel no retorno dos grupos armados à paz, conclamando o povo sudanês a se unir e alcançar o desenvolvimento econômico. Pediu, ainda, que seja dada ao Sudão uma chance sem intervenção, porque os sudaneses sabem o que é melhor para o seu país. O Presidente Salva Kiir ressaltou os laços culturais e sociais entre o Sudão e o Sudão do Sul, salientando que o apoio do Sudão do Sul ao Sudão veio como resposta ao desejo genuíno dos dois países de coexistirem.

Por sua vez, o primeiro-ministro egípcio, Mustafa Madbuli, transmitiu em seu pronunciamento as saudações do presidente Abdul Fattah al-Sisi ao povo sudanês, destacando que a mensagem de Al-Sisi confirma o apoio do Egito às aspirações do povo sudanês às instituições estatais sudanesas em seus esforços para alcançar as aspirações de colocar o Sudão em um novo rumo estável. Ele acrescentou que o Sudão está testemunhando uma nova era, aumentando a confiança em relação ao futuro, concluindo que o Egito continuará seu apoio para que seja alcançada a estabilidade no Sudão.

O presidente do Conselho Militar de Transição, o 1º tenente-general Abdul Fattah Al-Burhan, se dirigiu aos presentes na cerimônia e afirmou que as Forças Armadas Sudanesas (SAF, no acrônimo em inglês) protegerão o período de transição e o governo civil em direção às eleições próximas, acrescentando que as negociações provaram que os negociadores eram parceiros nas preocupações nacionais, e afirmando que elas representaram um guia para o período de transição. Ele disse que a revolução alcançou seus objetivos ao alcançar a liberdade, exortando os presentes a superarem a amargura do passado e afirmando aos jovens que a nação sudanesa tem orgulho de sua juventude.

A Segunda Guerra Civil Sudanesa foi um dos conflitos civis mais longos da história, durando de 1983 a 2005 e produzindo como resultado a independência do Sudão do Sul. Em 2019, o ditador sudanês Omar al-Bashir foi retirado do poder pelas forças armadas em meio a uma onda de protestos, depois de manter o cargo por quase 30 anos. O Sudão do Sul, por outro lado, encontra-se em guerra civil desde 2013. Um cessar-fogo entre diversas partes beligerantes foi assinado em 2018 e ainda se encontra em fase de implementação.

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Redação do Fora!. Sudão: Assinado acordo de transição para governo civil. Fora!. Acessado em 18 de agosto de 2019. Disponível em <https://fora.global/2019/08/18/sudao/>.

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Redação do Fora!. (18 de agosto de 2019). Fora!. https://fora.global/2019/08/18/sudao/.

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