Congo: novo governo mostra influência do ex-presidente

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Foto: Reuters.

O primeiro-ministro do Congo anunciou na segunda-feira um novo governo, oito meses depois de o presidente Felix Tshisekedi ter vencido uma eleição, com cerca de dois terços dos postos destinados aos aliados do ex-presidente Joseph Kabila.

Com informações da Reuters.

Na eleição ocorrida em dezembro passado, após sucessivos adiamentos, Tshisekedi derrotou um candidato oficialmente apoiado por Kabila, cujo próprio limite de mandato foi aumentado, embora os políticos da oposição tenham dito que o resultado foi fraudado em um acordo secreto entre os campos políticos de Kabila e Tshisekedi. Eles disseram que o acordo envolvia a saída oficial de Kabila, mas mantendo o controle – uma acusação que ambos negaram.

A lista do gabinete divulgada pelo primeiro-ministro Illunga Illunkamba na segunda-feira consistia principalmente de pessoas com pouca ou nenhuma experiência governamental. Dos 65 ministros nomeados, 42 eram da coalizão de Kabila e 23 eram de Tshisekedi.

Além de manter grande influência sobre várias agências de segurança, a coalizão da Frente Comum do Congo (FCC), de Kabila, conquistou cerca de 70% dos assentos na câmara baixa do parlamento e uma esmagadora maioria dos assentos na assembleia provincial em 30 de dezembro.

“Aparentemente, a FCC manterá seu poder porque controla muitos dos departamentos ministeriais”, disse Jonas Tshiombela, uma figura proeminente na sociedade civil do Congo.

Esperava-se que Kabila tivesse uma grande participação no governo da República Democrática do Congo, um vasto país centro-africano de 80 milhões de habitantes, rico em minérios, onde esteve no comando desde o assassinato de seu pai, Laurent, em 2001.

Em maio Tshisekedi nomeou como primeiro-ministro Ilukamba, um aliado próximo de Kabila com anos de experiência no governo e ex-chefe da companhia nacional de ferrovias do Congo. Mas as negociações sobre outros cargos no governo foram interrompidas desde então.

A nova lista tem Gilbert Malaba, um membro do partido de Tshisekedi, como ministro do Interior e da Segurança, enquanto o ministério da Defesa foi para Ngoy Mukena, um aliado próximo de Kabila.

O portfólio de mineração foi para Willy Samsoni, da coalizão de Kabila e que já ocupou o ministério de Minas no governo local da província de Haut Katanga; enquanto o ex-diretor-geral de impostos do Congo, Sele Yalaghuli, também um fiel Kabila, foi nomeado ministro da Fazenda.

O aliado de Tshisekedi, Jean-Baudouin Mayo Mambeke, assumiu o cargo de mais baixo escalão do ministério do Planejamento.

Desde que tomou posse, em janeiro, Tshisekedi sinalizou uma ruptura com seu antecessor em algumas áreas. Ele perdoou três proeminentes prisioneiros políticos e 700 prisioneiros regulares em março, uma mudança marcante em relação às políticas de Kabila, que prendeu muitos de seus opositores.

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Redação do Fora!. Congo: novo governo mostra influência do ex-presidente. Fora!. Acessado em 27 de agosto de 2019. Disponível em <https://fora.global/2019/08/27/congo-novo-governo-mostra-influencia-do-ex-presidente/>.

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