Líbia: drama da imigração causa mais mortes em naufrágio na costa do país

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Imagem: Wikimedia Commons.

Apesar da hostilidade dos confrontos causados pela guerra civil na nação africana, seu litoral segue como uma das principais rotas para imigrantes do Norte da África e do Oriente Médio rumo à Europa.

O naufrágio de uma embarcação com cerca de 90 pessoas na última terça-feira (27/08) deixou um saldo de pelo menos cinco mortos, além de outros 20 desaparecidos, ao largo da Líbia. O resgate foi realizado próximo à cidade de Khoms, que fica a aproximadamente 100 quilômetros a leste da capital do país, Trípoli. O porta-voz da marinha líbia, Ayoub Kacem, informou que os corpos encontrados eram de três nacionalidades: um somali, um sudanês e três marroquinos, sendo uma mulher, um homem e uma criança, os últimos, e dois homens os demais. Ainda segundo o porta-voz, as operações de busca continuam, com base em relatos dos 65 sobreviventes.

Os acidentes envolvendo imigrantes líbios e estrangeiros são frequentes no território marítimo do país e arredores. Um dia antes do naufrágio supracitado, na segunda-feira (26/08), a ONG alemã Mission Lifeline havia divulgado a detecção de um bote já desinflado, à deriva, que transportava uma centena de pessoas. O resgate foi concluído com êxito, sem mortes, e todos foram enviados à Europa. Segundo tripulantes a serviço da organização não-governamental, militares líbios que patrulhavam as imediações ameaçaram a equipe durante a manobra.

Acusações e corpos trocados

Na última quarta-feira (28/08), o Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho realizaram mais uma troca de corpos de soldados abatidos em combate, servindo como intermediário entre as frentes que disputam o controle de Trípoli. Os atos de troca de cadáveres, entretanto, não significam uma distensão da ferocidade dos embates. Se, por um lado, o enviado especial da Turquia à Líbia, Emrullah Işler, proclamou em Ankara (capital turca), também na quarta-feira, que apoia o “governo legítimo” líbio, o Governo do Acordo Nacional (GNA, no acrônimo em inglês), e uma resolução pacífica dos conflitos, por outro, atacou em seu discurso o marechal Khalifa Haftar, que comanda o Exército Nacional Líbio (ENL), acusando-o de terrorismo. “A comunidade internacional permanece silenciosa a respeito das ofensivas de Haftar a Trípoli e seus atos terroristas, como o sequestro de cidadãos turcos”, denunciou.

A situação da guerra civil na Líbia segue acompanhada de perto pela comunidade internacional. O último encontro do G7, como noticiado pelo Fora!, explicitou a preocupação dos líderes dos países mais ricos do mundo em sua declaração conjunta sobre a intenção de uma solução diplomática da atual guerra civil. Segundo o documento:

“Apoiamos uma trégua na Líbia que possa levar a um cessar-fogo duradouro. Acreditamos que apenas uma solução política garantirá a estabilidade da Líbia. Estamos ansiosos por uma conferência internacional bem preparada, que reúna todas as partes interessadas e todos os atores regionais envolvidos neste conflito. A este respeito, apoiamos o trabalho das Nações Unidas e da União Africana para pôr em prática uma conferência inter-líbia”.

Especula-se uma grande ofensiva aérea por parte do ENL apoiada pelo governo francês. O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, por sua vez, declarou que as ofensivas visam desestabilizar o governo líbio e garantiu que seu país “não permitirá uma nova Síria na Líbia”.

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ABNT:

Felipe Puziol de Aquino. Líbia: drama da imigração causa mais mortes em naufrágio na costa do país. Fora!. Acessado em 30 de agosto de 2019. Disponível em <https://fora.global/2019/08/30/libia-drama-da-imigracao-causa-mais-mortes-em-naufragio-na-costa-do-pais/>.

APA:

Felipe Puziol de Aquino. (30 de agosto de 2019). Fora!. https://fora.global/2019/08/30/libia-drama-da-imigracao-causa-mais-mortes-em-naufragio-na-costa-do-pais/.

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