Arábia Saudita: Países denunciam crimes contra os direitos humanos cometidos pelo regime saudita

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Jamal Khashoggi, jornalista assassinado no consulado saudita em Istambul (Turquia). Fonte: Wikimedia Commons. Autor: April Brady / POMED

Com informações do The Guardian

O histórico de crimes cometidos contra os direitos humanos na Arábia Saudita foi fortemente censurado por duas dezenas de países, em grande parte ocidentais, que apontaram seu histórico de piora por suposto uso de tortura, detenções ilegais e julgamentos injustos de críticos, incluindo ativistas e jornalistas.

A declaração conjunta, lida em uma reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra, representa a segunda vez em seis meses que o órgão critica o reino, após uma declaração semelhante realizada em março deste ano. O documento foi lido pelo embaixador australiano na ONU em Genebra, Sally Mansfield, co-assinado por 15 membros da União Européia, incluindo Grã-Bretanha e Alemanha, além de outras nações, como Canadá, Nova Zelândia e Peru.

“Continuamos profundamente preocupados com a situação dos direitos humanos na Arábia Saudita”, disse Mansfield. “Os atores da sociedade civil na Arábia Saudita ainda enfrentam perseguição e intimidação. Defensores de direitos humanos, ativistas de direitos das mulheres, jornalistas e dissidentes continuam detidos ou ameaçados”.

Os membros pediram às autoridades sauditas que estabeleçam a verdade sobre o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi no consulado de Istambul em outubro de 2018 e garantam que os autores sejam responsabilizados.

Não houve resposta imediata da delegação saudita, que está entre os 47 estados membros do conselho, mas cuja cadeira estava vazia. O embaixador saudita saiu da sala cerca de uma hora antes para receber a recepção do dia nacional de seu país. O reino regularmente nega as alegações de tortura e detenções injustas.

Entre os que se dirigiram à reunião do Conselho de Direitos Humanos estava Lina al-Hathloul, cuja irmã – a ativista das mulheres sauditas Loujain al-Hathloul – foi presa no ano passado e supostamente torturada, e cuja libertação ela pediu. Loujain al-Hathloul estava entre cerca de uma dúzia de ativistas proeminentes que foram presas em maio de 2018 nas semanas anteriores à proibição de mulheres dirigindo carros

Em um discurso ao conselho, al-Hathloul comentou a detenção de sua irmã e outras ativistas. “Loujain foi presa por promover a implementação da declaração de Viena de direitos humanos, que afirma o gozo pleno e igual das mulheres de todos os direitos humanos. Loujain não chegou a dirigir em Riyadh, sua cidade natal, porque foi presa pouco antes de o governo saudita proibir que as mulheres dirigissem”.

Ela acrescentou que sua irmã havia sido rotulada como “traidora” do ativismo pelos direitos de mulheres. “Eles a torturaram e depois tentaram trocar sua liberdade em troca de negar publicamente a tortura”.

As organizações de direitos humanos documentaram, no entanto, o amplo uso da tortura na extração de confissões, inclusive de indivíduos posteriormente executados por participarem de protestos quando eram menores.

O foco no histórico de direitos humanos da Arábia Saudita se intensificou desde o assassinato de Khashoggi, que tem sido amplamente atribuído ao governante de fato do país, o príncipe Mohammed bin Salman.

Agnes Callamard, especialista da ONU em execuções extrajudiciais em todo o mundo, disse em um relatório em junho passado que o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman e outros altos funcionários deveriam ser investigados pelo assassinato de Khashoggi, dado o que ela chamou de evidência crível contra eles.

Edwina MacDonald, diretora jurídica do Centro de Direito dos Direitos Humanos, aprovou a pressão internacional sobre a Arábia Saudita. “Condenações públicas como esta da Austrália e de outros países aumentarão a pressão sobre a Arábia Saudita. Se você tem um assento no Conselho de Direitos Humanos da ONU, tem a obrigação de usá-lo”.

Para citar este artigo, use os padrões abaixo.

ABNT:

Flávio Henrique Soeiro de Castro. Arábia Saudita: Países denunciam crimes contra os direitos humanos cometidos pelo regime saudita. Fora!. Acessado em 26 de setembro de 2019. Disponível em <https://fora.global/2019/09/26/arabia-saudita-paises-denunciam-crimes-contra-os-direitos-humanos-cometidos-pelo-regime-saudita/>.

APA:

Flávio Henrique Soeiro de Castro. (26 de setembro de 2019). Fora!. https://fora.global/2019/09/26/arabia-saudita-paises-denunciam-crimes-contra-os-direitos-humanos-cometidos-pelo-regime-saudita/.

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