Nicarágua: analistas advertem que Daniel Ortega está criando uma bomba-relógio

Tempo de leitura: 4 minutos

O governo de Daniel Ortega impôs aos nicaraguenses drásticas medidas econômicas e sociais, e analistas advertem sobre os efeitos de médio e longo prazo.

Nos últimos 18 meses a Nicarágua se encontra em crise política, e 328 pessoas já foram assassinadas em meio a protestos. No momento, a ordem social é mantida por meio de repressão policial, mas especialistas afirmam que a qualquer momento o descontentamento social pode voltar a eclodir.

A crise foi causada devido à aprovação de reformas tributárias, mudanças no sistema de aposentadorias que não resolveram o problema de liquidez da seguridade social e que ampliaram a pobreza de aposentados e pensionistas, aumentos nas tarifas de energia elétrica e tendências de aumento das tarifas sobre combustíveis, que já são os mais caros da América Central.

O sociólogo Óscar René Vargas explicou que a ausência de protestos atualmente se deve à “repressão indiscriminada”. Para o investigador social Mario Sánchez, durante a crise de abril se evidenciou a brutalidade da repressão governamental.

Ambos os pesquisadores, no entanto, concordam que apesar das medidas repressivas, a população se mantém mobilizada, realizando pequenas ações planificadas e coordenadas, com certos níveis de autoproteção, como piquetes.

Vargas assinala que as pessoas protestam em manifestações religiosas, como em Masaya, onde a população lançou garrafas contra Ramón Avellán, membro da polícia orteguista que tinha como responsabilidade reprimir manifestações na região. Para o pesquisador, o descontentamento social está incubando um “tsunami democrático”, que não se sabe quando ou como irá explodir. Assinalou que os protestos de abril não se deveram somente à questão da segurança social, mas tiveram relação com movimentos contra a mineração e mobilizaram universitários, com suas próprias demandas.

Para a também socióloga Violeta Granera, os protestos de abril resultaram de uma exclusão política, social e econômica que afetou a grande maioria do país. Granera comparou a situação da Nicarágua com a do Chile, onde o aumento das passagens do transporte público representou “a gota d’água”, e entende que a reforma das aposentadorias na Nicarágua teve efeito similar. Afirmou: “a diferença é que aqui a ditadura, ao invés de entender a profundidade e a amplitude da insatisfação dos cidadãos com a forma de se fazer política, e devido à sua própria natureza ditatorial, escolheu o caminho da brutal repressão que estamos vivendo”.

Vargas afirma que a atual situação da Nicarágua está condicionada à perda de emprego, ao aumento da energia elétrica, ao fim dos subsídios de energia para as comunidades pobres e assentamentos, e ao empobrecimento da classe média; todos estes elementos mostram que o problema social está se incubando novamente. E adverte que o erro do governo reside em crer que o estalido social é um “golpe de estado”.

“Creio que em 2020 virá uma forte mobilização social quando as pessoas começarem a sentir realmente o problema da água, da luz, do custo de vida”, afirmou.

Para citar este artigo, use os padrões abaixo.

ABNT:

Redação do Fora!. Nicarágua: analistas advertem que Daniel Ortega está criando uma bomba-relógio. Fora!. Acessado em 28 de outubro de 2019. Disponível em <https://fora.global/2019/10/28/nicaragua-analistas-advertem-que-daniel-ortega-esta-criando-uma-bomba-relogio/>.

APA:

Redação do Fora!. (28 de outubro de 2019). Fora!. https://fora.global/2019/10/28/nicaragua-analistas-advertem-que-daniel-ortega-esta-criando-uma-bomba-relogio/.

Adaptações na ordem nome-sobrenome, bem como em outros elementos, podem ser necessárias. Se o texto tem co-autores ou se trata de uma tradução, os co-autores/tradutores devem ser revisados manualmente devido a limitações em nosso script.

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*