Bolívia: confrontos violentos em La Paz e Cochabamba

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Manifestação em La Paz. Foto: Paulo Fabre.

Um jovem perdeu três dedos da mão esquerda após a explosão de um artefato em Cochabamba, onde grupos de motociclistas também agrediram uma mulher. Em La Paz também houve confrontos.

Confrontos violentos nas cidades de La Paz e Cochabamba encerraram mais um dia de protestos entre setores que denunciam fraudes nas eleições nacionais de 20 de outubro e aqueles que defendem e apoiam o governo do presidente Evo Morales.

Uma “guerra” com pedras, fogos de artifício e explosivos atingiu áreas de Cochabamba. A violência começou depois do meio dia, na ponte Muyurina, que liga Cochabamba à cidade de Sacaba. Os confrontos também ganharam terreno em Quillacollo e Vinto.

Um jovem perdeu três dedos da mão esquerda após uma explosão em um dos vários momentos de confronto e tensão. Manifestantes em motocicletas agrediram duas pessoas, incluindo uma mulher, de acordo com um vídeo transmitido nas redes sociais.

Imagens de televisão mostraram como um grupo golpeou um jovem até que ele ficou inconsciente, tendo depois queimado sua motocicleta. Em outro vídeo, foi visto que um dos manifestantes usou o que parecia ser uma bazuca artesanal para atacar outros manifestantes. Diversas vítimas foram tratadas no Hospital Viedma, com ferimentos diferentes.

O violento confronto no Muyurina durou três horas. Ao grito de “Queremos trabalhar!”, manifestantes pró-governo tentaram realizar o desbloqueio no centro da cidade e o despejo de manifestantes opositores, que realizavam piquetes e greve de fome na Praça de Armas 14 de setembro.

O Comitê Nacional de Defesa da Democracia (Conade) denunciou um “golpe de rua”.

La Paz

A sede do governo não ficou livre de violência. Nos bairros de Achumani, San Antonio e Avenida Arce, houve confrontos entre aqueles que procuravam destrancar as ruas e bloqueadores. A polícia usou agentes químicos para dispersar os manifestantes e limpar as rotas.

No centro de La Paz, novamente, os ataques a pessoas de ambos os lados estavam presentes e, à tarde, organizações sociais relacionadas ao governo instalaram uma vigília em torno da Casa Grande del Pueblo para impedir o acesso daqueles que protestavam contra o resultado das eleições.

À noite, uma mobilização da Universidade Mayor de San Andrés (UMSA) marchou pelo centro da cidade até a praça Abaroa, onde estão localizados os escritórios do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE).

“Aqui chegamos a expressar nosso repúdio diante do governo que, juntamente com os criminosos do Corpo Eleitoral, prostituíram o voto do cidadão… Não aponte contra o seu povo, porque você é tão boliviano como nós, se junte ao seu povo”, afirmou o reitor da UMSA, Waldo Albarracín, dirigindo-se à polícia.

Governo

Falando ao programa “Falemos Claro” da TV estatal da Bolívia, o ministro do governo, Carlos Romero, minimizou as mobilizações e alertou que o foco mais duro está em Santa Cruz, que todos os dias, segundo ele, perde três milhões e meio de dólares. “Esse ataque cívico prejudica apenas a Santa Cruz”, disse Romero.

Ele também afirmou ter instituído uma investigação rigorosa sobre o uso de uma bazuca artesanal em Cochabamba.

“O mais preocupante disso é o nível de violência ao qual eles estão dispostos a chegar; no domingo denunciamos que essas pessoas querem sangue, mortos, e ontem atiraram em um manifestante e depois saíram dizendo que foram os outros que atiraram. Quem queria matar aquela pessoa tem que assumir sua responsabilidade perante a justiça”, disse ele.

Segundo Romero, a sociedade civil incentiva um golpe de estado que está fadado ao fracasso.

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Redação do Fora!. Bolívia: confrontos violentos em La Paz e Cochabamba. Fora!. Acessado em 30 de outubro de 2019. Disponível em <https://fora.global/2019/10/30/bolivia-confrontos-violentos-em-la-paz-e-cochabamba/>.

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Redação do Fora!. (30 de outubro de 2019). Fora!. https://fora.global/2019/10/30/bolivia-confrontos-violentos-em-la-paz-e-cochabamba/.

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