Chile: EUA acusa Rússia de inflamar protestos

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Marcha de estudantes no Chile. Fonte: Wikimedia Commons.

Com informações de Radio Free Europe e Stratfor.

Os Estados Unidos acusaram a Rússia de inflamar as tensões no Chile, onde protestos e distúrbios recentes deixaram mais de 20 pessoas mortas nos últimos dias. Um alto funcionário do Departamento de Estado, em 31 de outubro, disse que havia “indicações claras” de que as pessoas estavam aproveitando a agitação e “distorcendo-a através do uso e abuso das mídias sociais”.

“Vimos indícios de atividade russa apoiando esse curso negativo do debate”, disse a autoridade. O funcionário acrescentou que Moscou tem aumentado sua influência na América do Sul, com “muito pouco disso [da influência] positivo”. “Eles parecem preferir uma região dividida e parecem preferir debates democráticos envolvidos em conflitos, o que é lamentável”, afirmou.

A Casa Branca também emitiu uma declaração condenando o que chamou de “esforços estrangeiros” para minar instituições chilenas. Enquanto isso, representantes do governo chileno se reuniram com líderes da oposição (em 31 de outubro) para discutir maneiras de encerrar os protestos, embora as negociações tenham terminado sem progresso em direção a uma solução.

O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, rejeitou as alegações, dizendo à Interfax: “O governo dos EUA está usando a complexa situação interna do Chile para continuar suas tentativas de manchar a política externa de nosso país”. “Nunca interferimos, não interferimos e não interferiremos em nenhum assunto de política eleitoral ou outra política doméstica, onde quer que estejam”, afirmou Ryabkov.

Washington e Moscou também enfrentaram distúrbios na Venezuela, onde a Rússia apoia o presidente socialista Nicolas Maduro. Os Estados Unidos consideram Maduro ilegítimo e apoiaram a oposição, pedindo sua renúncia. O presidente dos EUA, Donald Trump, no passado “denunciou esforços estrangeiros para minar as instituições, a democracia ou a sociedade chilenas”.

O Chile foi atingido por protestos de rua contra o governo do presidente Sebastian Pinera. Inicialmente, os opositores se uniram contra o aumento das tarifas de transporte público, mas a situação evoluiu para um protesto geral contra baixos salários e pensões, o estado dos serviços de saúde pública e a crescente diferença entre ricos e pobres em um dos países mais ricos da América Latina.

Piñera, um bilionário de direita, tentou amansar os protestos com medidas como reorganizar seu gabinete e prometer reformas trabalhistas. Mas os parlamentares da oposição disseram que as medidas não eram suficientes. O presidente da Suprema Corte do Chile, Lamberto Cisterna, manifestou seu apoio a propostas para a criação de um grupo parlamentar que avance em direção às reformas constitucionais – uma demanda fundamental dos manifestantes.

Os Estados Unidos, que há muito mantêm laços estreitos com o Chile, disseram que a interferência estrangeira não é a única causa da agitação. Mas um porta-voz do Departamento de Estado acrescentou que a Rússia “procurou exacerbar divisões, fomentar conflitos e atuar em geral estragando o debate democrático responsável”.

Esperava-se que Trump assinaria um acordo comercial com o líder chinês Xi Jinping em uma reunião da APEC em Santiago neste mês, mas o Chile se retirou como anfitrião “para cuidar de problemas em casa”, disse Piñera.

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Redação do Fora!. Chile: EUA acusa Rússia de inflamar protestos. Fora!. Acessado em 4 de novembro de 2019. Disponível em <https://fora.global/2019/11/04/chile-eua-acusa-russia-de-inflamar-protestos/>.

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Redação do Fora!. (4 de novembro de 2019). Fora!. https://fora.global/2019/11/04/chile-eua-acusa-russia-de-inflamar-protestos/.

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