Argentina: Evo Morales chega ao país na condição de refugiado

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Fonte: Página 12

Com informações de: Clarín, Página 12 e La Nación

O ex-presidente deposto da Bolívia, Evo Morales, chegou à Argentina na manhã desta quinta-feira, dia 12 de dezembro, onde deve permanecer na qualidade de refugiado. Depois de um período no México como exilado político decorrente do golpe que o obrigou a renunciar à presidência da Bolívia, Evo chega à Argentina depois de se submeter a um tratamento médico em Cuba. Sua chegada à Argentina é resultado do convite do novo presidente deste país, Alberto Fernández, que assumiu o cargo na terça-feira desta semana, dia 10 de dezembro.

Morales e sua comitiva chegaram à Argentina sob a condição de asilo político. Mas o governo argentino procedeu no trâmite para mudar sua condição para “refugiado” em vista de certos direitos que esta situação garante a quem a possui. Como explicou o chanceler argentino, Felipe Solá, “foi dado a eles asilo para que entrem no país, mas está sendo firmado agora o pedido de refúgio, que é uma condição diferente, e que deve ser aprovado pelo Ministério do Interior. A diferença entre o asilo e o refúgio é que este último está regulamentado. Diferentemente, o asilo não possui regras, não está regulamentado”. A declaração de Solá foi dada na manhã desta quinta, e o pedido de refúgio de Evo Morales e sua equipe já foi tramitado e aprovado depois do meio-dia.

Aconselhado a manter o “compromisso de não fazer declarações políticas na Argentina”, segundo Sóla, Evo Morales utilizou as redes sociais para agradecer o apoio e sinalizar seus próximos passos. No Twitter, agradeceu ao presidente do México, Andrés Manuel Lopez Obrador, e ao povo e ao governo mexicano por “salvar minha vida e por me abrigar. Me senti em casa junto às irmãs e aos irmãos mexicanos durante um mês”. Declarando se sentir melhor por retornar a América do Sul, Evo manifestou quais seriam seus objetivos políticos. “Agora cheguei à Argentina para seguir lutando pelos mais humildes e para unir a Pátria Grande, estou forte e animado. Agradeço ao México e à Argentina por todo o esforço e solidariedade”.

Logo ao chegar, Morales foi recebido por representantes da comunidade boliviana na Argentina, que lhe manifestaram apoio. Já com qualidade de refugiado, Evo se reuniu com seus filhos, Evaliz e Álvaro, que já estavam há três semanas no país. Junto com Morales chegou a ex-ministra da saúde da Bolívia, Gabriela Montaño. Na sexta-feira, 7 de dezembro, chegaram o ex-vice-presidente, Álvaro Garcia Linera, e o ex-chanceler Diego Pary Rodríguez.

Troca de governo

A ida de Evo Morales para a Argentina é resultado direto da chegada ao poder do peronista Alberto Fernández. Morales, um velho aliado dos governos peronistas anteriores de Néstor e Cristina Kirchner, consegue seu refúgio poucos dias depois de Fernández assumir a presidência, resultado direto de seu alinhamento político. Mesmo os casos de asilo ocorridos antes da posse dos aliados e da família de Morales teriam ocorrido mediante negociação de Fernández com o governo de seu antecessor, Maurício Macri, durante o período de transição.

O governo de Fernández não hesitou em acusar Macri de negligência e negação de asilo político de Evo Morales em meio ao caos político que o levou a renunciar à presidência da Bolívia. O atual chanceler, Felipe Solá, relatou que “o presidente eleito (Alberto Fernández) pediu o asilo naquele momento e o presidente Macri não o concedeu”. Personalidades do governo anterior, como o ex-chanceler Jorge Faurie, negaram que tivessem recebido um pedido de asilo para Evo Morales.   

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Gabriel Caio Corrêa Borges. Argentina: Evo Morales chega ao país na condição de refugiado. Fora!. Acessado em 13 de dezembro de 2019. Disponível em <https://fora.global/2019/12/13/argentina-evo-morales-chega-ao-pais-na-condicao-de-refugiado/>.

APA:

Gabriel Caio Corrêa Borges. (13 de dezembro de 2019). Fora!. https://fora.global/2019/12/13/argentina-evo-morales-chega-ao-pais-na-condicao-de-refugiado/.

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