EUA: Comissão da Câmara aprova artigos do impeachment de Trump

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Um comitê judiciário da Câmara ferozmente dividido empurrou o presidente Trump à beira do impeachment nesta sexta-feira (13/12), votando em linhas partidárias para aprovar as acusações de que ele abusou do poder e obstruiu o Congresso.

Após um debate conturbado de dois dias, o comitê, controlado pelos democratas, recomendou que a Câmara ratificasse dois artigos de impeachment contra o 45º presidente. Em votos consecutivos, eles adotaram cada acusação contra Trump por uma margem de 23 a 17 sob os protestos dos republicanos.

A votação no plenário da Câmara para impugnar Trump está prevista para a semana que vem. Seu mandato, de quase três anos, exacerbou as divisões políticas do país.

Trump, que insiste que não fez nada de errado, agora é o quarto presidente americano na história a enfrentar o impeachment da Câmara dos Deputados por “altos crimes e delitos”, com possível condenação e destituição do cargo pelo Senado.

“Acho que é horrível usar a ferramenta de impeachment, que deveria ser usada em casos de emergência”, disse Trump a repórteres, antes de uma reunião com o presidente Mario Abdo, do Paraguai. “Isto é um golpe. É algo que não deve ser permitido e é uma coisa muito ruim para o nosso país”, disse ele. “Estão banalizando o impeachment”.

As acusações surgem de uma investigação do Comitê de Inteligência da Câmara que concluiu que o presidente manipulou seu governo para pressionar a Ucrânia a investigar o ex-vice-presidente Joseph R. Biden Jr., seu rival político. Ele fez isso, alegam os democratas, usando como moeda de negociação quase US$ 400 milhões em assistência à Ucrânia. Trump então procurou ocultar o esquema do Congresso, segundo o comitê.

Logo após as votações, Stephanie Grisham, secretária de imprensa da Casa Branca, emitiu uma declaração curta dizendo que o presidente estava aguardando ansiosamente o julgamento no Senado.

“Esta farsa desesperada de uma investigação de impeachment no Comitê Judiciário da Câmara chegou ao seu fim vergonhoso”, disse ela. “O presidente espera receber no Senado o tratamento justo e o devido processo que continua a ser vergonhosamente negado a ele pela Câmara”.

Andrew Johnson, em 1868, e Bill Clinton, em 1998, foram impugnados pela Câmara, mas depois foram absolvidos pelo Senado. Richard M. Nixon renunciou, em 1974, depois que o Comitê Judiciário aprovou acusações contra ele, e pouco antes da Câmara poder fazer uma votação final para impeachment.

Os líderes democratas indicaram que o plenário da Câmara debaterá e votará sobre a questão na próxima semana, com a aprovação final provavelmente caindo na quarta-feira, pouco antes do Congresso entrar em recesso para o Natal e o Ano Novo. Após o encerramento do Comitê Judiciário, o Comitê de Regras enviou um aviso de que se reuniria na manhã de terça-feira para fazer os preparativos finais para a votação na Câmara.

Os votos de impeachment do Comitê Judiciário da Câmara deixaram os ex-presidentes de joelhos. Nixon renunciou dias depois. Clinton prontamente se desculpou por suas ações e se ofereceu para aceitar uma resolução de censura da Câmara em lugar do impeachment. Trump continua desafiador, insistindo que não fez nada de errado. Esperava-se que ele se encontrasse na sexta-feira na Casa Branca com seu advogado pessoal, Rudolph W. Giuliani, cujo intenso esforço em levar adiante investigações sobre os rivais políticos de Trump forneceu os estímulos que ajudaram a alimentar o inquérito de impeachment.

Nas últimas duas semanas, o presidente se recusou a enviar seus advogados para participar das audiências ou oferecer uma defesa da Casa Branca diante da Casa, rompendo com a abordagem de Nixon e Clinton. Ele não queria conceder legitimidade ao processo e argumentou que conseguiria um julgamento mais justo no Senado.

Os líderes republicanos no Senado indicaram na quinta-feira, na véspera da votação, que queriam um julgamento rápido e que trabalhariam junto com a equipe de defesa de Trump – um anúncio que rapidamente provocou uma repreensão dos democratas, com acusações de parcialidade.

O senador Mitch McConnell, republicano de Kentucky e líder da maioria, previu que “não há chance” de 67 senadores – a maioria de dois terços necessária para uma condenação – votarem para remover Trump em um ano eleitoral.

Diferentemente de Watergate, quando o público apoiou amplamente a remoção, ou em 1998, quando uma clara maioria se opôs, as pesquisas públicas nas últimas semanas sugerem que os americanos estão tão divididos quanto seus representantes eleitos. Algumas pesquisas mostram que uma pequena maioria do público apóia impeachment e remoção, aproximadamente a mesma fração que votou contra Trump há três anos.

As acusações contra Trump são paralelas a alguns dos artigos elaborados contra Nixon. E a votação caiu quase exatamente 21 anos depois que o painel do Judiciário votou para recomendar o impeachment de Clinton, sob acusações de perjúrio, obstrução da justiça e abuso de poder.

As conclusões do Comitê de Inteligência foram alcançadas com base em documentos e testemunhos de mais de uma dúzia de diplomatas americanos e funcionários da Casa Branca que disseram que, durante a primavera e o outono (no hemisfério norte), Trump autorizou seu advogado pessoal, Rudolph W. Giuliani, e um grupo de aliados dentro do governo a descartarem a política americana oficial em relação à Ucrânia e substituí-la por seus interesses pessoais.

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Redação do Fora!. EUA: Comissão da Câmara aprova artigos do impeachment de Trump. Fora!. Acessado em 13 de dezembro de 2019. Disponível em <https://fora.global/2019/12/13/eua-comissao-da-camara-aprova-artigos-do-impeachment-de-trump/>.

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Redação do Fora!. (13 de dezembro de 2019). Fora!. https://fora.global/2019/12/13/eua-comissao-da-camara-aprova-artigos-do-impeachment-de-trump/.

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