Angola: filha de ex-presidente envolvida em esquema de corrupção

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Isabel dos Santos está sendo investigada por corrupção. Fonte: Wikimedia Commons

Com informações do Pública, Folha de SP e Jornal de Angola

Consórcio de jornalistas investigativos de diversos jornais divulgou esta semana que Isabel dos Santos, filha mais velha do ex-presidente José Eduardo dos Santos, que governou o país durante 39 anos, adquiriu um patrimônio bilionário às custas dos cofres públicos envolvendo a estatal petrolífera de Angola.

Chamado de Luanda Leaks, a investigação teve como base uma série de documentos obtidos por fontes e denúncias anônimas. Os documentos mostram como Isabel e seu marido, Sindika Dokolo, usaram a Sonangol, petrolífera estatal, para criar um complexo esquema de empresas de fachada em paraísos fiscais como Dubai, Maurício e Ilhas Virgens Britânicas.

Rafael Marques, principal jornalista investigativo de Angola, disse que o momento no país mudou recentemente. “É uma situação que há três anos ninguém poderia imaginar”, pontuou. “Eu me acostumei a ver minivans com agentes em frente à minha casa. Agora, quando escrevo sobre corrupção, os procuradores não usam as informações para me processar, usam para investigar os denunciados”, explicou.

Essa mudança também ocorreu pelo fato do atual presidente, João Lourenço, ter rompido relações com o clã dos Santos. Ex-ministro da Defesa de José Eduardo dos Santos, João Lourenço afastou Isabel da petrolífera para ganhar capital político.

“Há uma tentativa do presidente de gerar capital político, já que a economia está em péssimo estado, e o governo não está em posição de mostrar melhorias a curto e médio prazo”, afirmou Ricardo Soares de Oliveira, professor de ciência política na Universidade de Oxford.

Brasil e Portugal

O escândalo revelado pelo Luanda Leaks acabou resvalando na economia brasileira. Primeiramente, a Sonangol comprou uma participação na Galp, empresa portuguesa do ramo de energia. A Galp, então, formou uma joint venture com a Petrobrás para produzir bicombustível pelo óleo de dendê no norte do Pará. Conhecida como Belém Bioenergia Brasil S.A, a Petrobras avalia que o prejuízo passa dos R$ 300 milhões sem sequer produzir um litro de combustível, além de afetar agricultores locais.

Isabel dos Santos também demonstrava interesse no setor de diamantes, inclusive numa parceria com a Odebrecht para explorar uma mina em Angola. “Diamantes e corrupção sempre andam juntos, e em Angola esse ditado foi especialmente verdadeiro”, comentou a pesquisadora britânica Christine Gordon, que estuda Angola há duas décadas.

Investigação

Por ora, a empresária continua em liberdade porque o processo ainda está em fase inicial. O procurador-geral da República, Hélder Pitta Grós, considera o procedimento normal. “Em relação aos seus movimentos nada podemos fazer, porque não há medidas de coação no âmbito do processo-crime. Só depois dela ser interrogada é que lhe poderá ser ou não aplicada uma medida de coação”, disse.

Para citar este artigo, use os padrões abaixo.

ABNT:

Flávio Henrique Soeiro de Castro. Angola: filha de ex-presidente envolvida em esquema de corrupção. Fora!. Acessado em 28 de janeiro de 2020. Disponível em <https://fora.global/2020/01/28/angola-filha-de-ex-presidente-envolvida-em-esquema-de-corrupcao/>.

APA:

Flávio Henrique Soeiro de Castro. (28 de janeiro de 2020). Fora!. https://fora.global/2020/01/28/angola-filha-de-ex-presidente-envolvida-em-esquema-de-corrupcao/.

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