Brasil e EUA: acordo de cooperação militar é assinado

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Brasil e EUA assinaram, na última semana, um acordo militar inédito. Chamado de RDT&E (acrônimo de “Research, Development, Testing and Evaluation”), a ideia é harmonizar os produtos brasileiros da área de defesa com as especificações estadunidenses e da OTAN.

O acordo começou a ser negociado em 2017, durante o governo de Michel Temer. Em março de 2019, o Brasil foi designado pelos EUA como “aliado preferencial fora da OTAN”. O Brasil é o primeiro país da América Latina fora da Organização do Tratado do Atlântico Norte, embora outros países, como Argentina, Coréia do Sul, Japão, Austrália e Israel gozem do mesmo status.

O Palácio do Planalto espera que o acordo seja ratificado pelo Congresso dos dois países sem grandes resistências, contando com o argumento de que a indústria brasileira se beneficiará de eventuais exportações para os EUA.

O RDT&E não prevê financiamento de projetos ou aquisições de produtos, estabelecendo principalmente critérios jurídicos para as áreas de cooperação. Há a possibilidade de empresas dos EUA contratarem empresas brasileiras para desenvolvimento de projetos na área militar. Atualmente, a indústria de defesa no Brasil mantém 250 mil empregos diretos e indiretos, em áreas que vão desde a fabricação de munição (letal e não-letal) até a construção de mísseis e foguetes.

Ampliação do poder bélico brasileiro

Ao que tudo indica, há um esforço de longo prazo do governo brasileiro para ampliar sua capacidade bélica, que tem rendido frutos agora. No governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi iniciado o projeto FX-2, que deu origem à parceria com a Suécia para a construção dos novos caças Gripen F-39. Em paralelo, foi desenvolvido o projeto que deu origem ao cargueiro multimissão KC-390, que já entrou em operação e possui encomendas em vários países. Embora tal fato tenha sido mantido em segredo até recentemente, ambas as aeronaves podem receber adaptações para que passem a operar em modo “stealth” (popularmente: “invisíveis ao radar”), uma exigência nos cenários militares atuais.

Recentemente, foi anunciada pela Marinha do Brasil a compra de quatro fragatas que também contam com tecnologia stealth, cuja construção deve ocorrer em Santa Catarina, ao custo de R$ 9,1 bilhões. Os navios integrarão a classe Tamandaré e sua construção está sob a responsabilidade de um consórcio formado pela empresa alemã Thyssenkrupp Marine System, associada com as brasileiras Atech e Embraer Defesa & Segurança. Estima-se que a primeira fragata será entregue em 2024, e a última em 2028. As embarcações serão capazes de lançar mísseis a aproximadamente 180 km de distância, além de operar com helicópteros, drones e lanchas de casco semi-rígido para desembarque furtivo de forças de operações especiais, bem como disparar torpedos em alvos a 50 km de distância. Há ainda especulações sobre a modernização do navio-aeródromo (“porta-aviões”) São Paulo, que, se confirmadas, significam que a embarcação voltaria a operar por volta de 2025.

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Redação do Fora!. Brasil e EUA: acordo de cooperação militar é assinado. Fora!. Acessado em 9 de março de 2020. Disponível em <https://fora.global/2020/03/09/brasil-e-eua-acordo-de-cooperacao-militar-e-assinado/>.

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Redação do Fora!. (9 de março de 2020). Fora!. https://fora.global/2020/03/09/brasil-e-eua-acordo-de-cooperacao-militar-e-assinado/.

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