Itália: país inteiro de quarentena em meio a surto de Coronavírus (COVID-19)

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Guardas prisionais ficam de guarda depois que uma ambulância entrou na prisão de SantAnna durante um protesto de parentes de presos em Modena, Emilia-Romagna. Foto por Piero CRUCIATTI/AFP.

Com informações da CNN (adaptado).

A Itália foi submetida a um dramático bloqueio total devido ao coronavírus (COVID-19) que se espalha pelo país. O primeiro-ministro Giuseppe Conte anunciou que está ampliando as restrições.

“Todas as medidas das zonas vermelhas agora estão estendidas a todo o território nacional”, disse Conte em entrevista coletiva na noite desta segunda-feira, anunciando também a proibição de todos os eventos públicos.

O primeiro-ministro disse que a medida foi tomada para proteger a população e, especialmente, os indivíduos mais frágeis. Seu anúncio chegou ao final de um dia caótico, com motins nas prisões em todo o país.

Noventa e sete pessoas morreram do novo coronavírus na Itália desde domingo, elevando o número total de mortes para 463. O país tem 9.172 casos até agora, o maior número dentre os países europeus.

No fim de semana foram anunciadas restrições gerais de viagem em apenas algumas áreas do norte da Itália. O resto do país agora se unirá às províncias do norte sob confinamento – uma das respostas mais difíceis implementadas fora da China continental para controlar a epidemia de COVID-19.

O coordenador de terapia intensiva na unidade de crise da região norte da Lombardia disse que o sistema de saúde da localidade estava “a um passo do colapso”, apesar dos esforços para liberar leitos hospitalares.

“Agora estamos sendo forçados a implantar tratamento intensivo nos corredores”, disse Antonio Pesenti. “Esvaziamos seções inteiras do hospital para dar espaço a pessoas gravemente doentes”.

Ele descreveu ter visto “um tsunami de pacientes”, acrescentando que poderia haver 18.000 pacientes no hospital até o final do mês se o vírus continuar se espalhando. “Nunca vi nada assim”, disse ele. “Os italianos devem ficar preocupados”.

Sob a quarentena anterior à qual estava submetido o norte do país, as verificações do cumprimento da proibição de circulação deveriam ser realizadas nas principais rodovias e nas estradas menores pelos carabinieri (grosso modo, equivalentes à polícia militar brasileira) e pelas forças policiais municipais, enquanto a polícia ferroviária, os funcionários/autoridades de saúde e a equipe de proteção civil fariam o uso de aparelhos de thermoscan para aplicar a proibição de viagens nas ferrovias.

Também foram introduzidas verificações para passageiros de navios de cruzeiro que chegam a Veneza, que não poderão desembarcar para visitar a cidade, podendo apenas retornar ao seu local de residência ou país de origem.

Protestos nas prisões

O bloqueio já produziu efeitos prejudiciais no país. O Ministério da Justiça informou, em comunicado, que detentos invadiram várias prisões, escapando de suas instalações e sequestrando policiais, após as visitas serem proibidas em um esforço para conter a propagação do vírus.

Vários presos morreram no tumulto, que varreu 22 prisões. Alguns continuam ocupando suas instalações.

Na cidade de Foggia, no sul, os presos ocuparam todo o complexo e 43 detentos escaparam, antes de serem capturados pela força policial da prisão e outras agências policiais, ainda segundo o comunicado.

Em Modena, no norte, os presos “ainda estão ocupando duas seções da prisão”. Lá, alguns internos invadiram a enfermaria, onde tomaram várias drogas, incluindo metadona, disse o diretor do sistema penitenciário italiano Francesco Basentini, em entrevista.

Seis presos morreram na localidade, acrescentou Basentini. Dois dos mortos morreram de overdose e outro da inalação de fumaça tóxica. A causa das três mortes restantes está sob investigação.

Enquanto isso, na prisão de Rebibbia, em Roma, os detentos chegaram a uma área externa e danificaram gravemente todo um pavilhão. Quatro agentes penitenciários foram seqüestrados em Bolonha, onde 350 presos conseguiram ocupar duas seções da instalação. Os protestos estão em andamento em várias outras prisões em todo o país, com os prisioneiros atingindo os telhados de algumas instalações. Quase todas as cadeias estão “seriamente danificadas”, segundo a declaração do ministério.

Zona de quarentena se estende por todo o país

Houve mais de 108.000 casos confirmados e 3.821 mortes relacionadas ao novo coronavírus em todo o mundo. Apesar dos sinais de melhora na Ásia – com a China e a Coréia do Sul registrando uma desaceleração no número de novos casos – a situação na Europa e na América do Norte parece estar piorando.

Sob as regras iniciais de bloqueio, escolas, universidades, teatros, cinemas, bares e boates foram fechados no norte da Itália. Cerimônias religiosas, incluindo funerais e casamentos, bem como eventos esportivos, foram suspensos ou adiados. É permitido abrir restaurantes e bares das 6h às 18h, e os shoppings e mercados podem abrir durante a semana, se puderem garantir um metro de distância entre cada cliente.

“Isso é da maior importância, não apenas do ponto de vista da saúde, mas também do ponto de vista econômico. Uma desaceleração temporária em alguns setores ou áreas do país é preferível a uma crise mais longa que pode se espalhar para toda a economia por meio de efeitos de demanda e oferta”, dizia a declaração original.

As restrições podem afetar a economia já frágil da Itália. Representantes de turismo italianos alertaram no mês passado que 200 milhões de euros em reservas foram cancelados desde que o surto foi anunciado pela primeira vez.

O governo italiano está preparando medidas para apoiar trabalhadores e empresas em todo o país, particularmente nos setores e áreas mais afetados pelo surto, para tentar evitar “danos duradouros no lado da oferta da economia italiana e perdas permanentes de emprego”.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) instou “todos os países a continuar os esforços que foram eficazes para limitar o número de casos e retardar a propagação do vírus”.

Em comunicado, a OMS afirmou: “Permitir propagação descontrolada não deve ser uma escolha de nenhum governo, pois prejudicará não apenas os cidadãos daquele país, mas também afetará outros países”.

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Redação do Fora!. Itália: país inteiro de quarentena em meio a surto de Coronavírus (COVID-19). Fora!. Acessado em 9 de março de 2020. Disponível em <https://fora.global/2020/03/09/italia-pais-inteiro-de-quarentena-em-meio-a-surto-de-coronavirus-covid-19/>.

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Redação do Fora!. (9 de março de 2020). Fora!. https://fora.global/2020/03/09/italia-pais-inteiro-de-quarentena-em-meio-a-surto-de-coronavirus-covid-19/.

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