Análise: Bolsonaro escolhe ser o líder mais inepto para lidar com Covid-19

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Na noite desta terça-feira (24/03), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) decidiu utilizar a cadeia nacional de rádio e TV para acalmar os ânimos da população brasileira em relação à pandemia causada pelo coronavírus. Mas a experiência de acompanhar o pronunciamento do chefe de estado brasileiro causa mais dano que a doença que atinge o planeta.

A abertura foi um esclarecimento de que o governo já estava se preparando para a chegada do Covid-19. Mas, até então, o que se viu foram apenas sucessivas indecisões sobre o que fazer para conter o coronavírus – como, por exemplo, a insistência em manter fronteiras abertas com alguns países.

Em um primeiro momento, Bolsonaro atacou a imprensa, mais uma vez, criticando a postura que qualificou como “causar pânico e histeria nas pessoas” pelo elevado número de mortes na Itália. Relatar fatos urgentes que podem e devem pressionar os governos locais para fazê-los agir com o objetivo de conter o avanço da pandemia e diminuir o número de vítimas está fora de cogitação para o presidente.

Em seguida, foi a vez de atacar autoridades estaduais e municipais por tomarem a frente nas decisões para evitar maior tragédia. “O grupo de risco são pessoas acima de 60 anos, então por quê fechar escolas?”, indagou o presidente. Bolsonaro aparenta desconhecer que pessoas mais jovens podem contrair a doença, precisando também de atendimento médico, além de também serem potenciais vetores de contágio de cidadãos mais idosos, já que os sintomas só se manifestam dias após contrair o vírus. Ademais, a contradição da fala foi tão óbvia que ele pediu para as pessoas seguirem as orientações do Ministério da Saúde, mas, ao mesmo tempo, também disse para não segui-las em relação ao isolamento social, que é, de longe, a principal e melhor medida inicial para conter o avanço do Covid-19.

A continuação do show de horror foi se autocongratular pelo seu histórico de atleta ao dizer que, caso tivesse contraído a doença, sentiria sintomas próximas de uma “gripezinha”. Lembremos que Bolsonaro só consegue fazer flexão de pescoço e que há suspeita de que a doença pode deixar sequelas no pulmão, diminuindo a capacidade do órgão funcionar em torno de 20% a 30%. O mais grave nesse trecho da fala presidencial foi, novamente, relativizar o problema que o coronavírus está causando em todo o planeta ao compará-lo com uma gripe comum. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), foram confirmados até o momento quase 400 mil casos de Covid-19 e mais de 16 mil mortes.

Ao fim, o presidente fez o favor de lembrar que cientistas estão em busca de uma cura para a doença. Provavelmente Bolsonaro acabou de descobrir que o trabalho dos cientistas é justamente esse. Ele ainda disse que essa “cura” que está em desenvolvimento é um paliativo, que seria a Cloroquina. A substância, ainda em estágio inicial de testes, dificulta a invasão do Covid-19 no organismo, dando mais tempo para o sistema imunológico combater a doença.

“Estamos juntos, cada vez mais unidos” – foi assim que o presidente terminou o pronunciamento. Mas o que se vê, na realidade, é o isolamento do presidente na tomada de decisões. Pode ser, inclusive, a decisão mais sábia que o Brasil pode tomar agora para sobreviver essa crise. Infelizmente o presidente teima em romper a quarentena.

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ABNT:

Flávio Henrique Soeiro de Castro. Análise: Bolsonaro escolhe ser o líder mais inepto para lidar com Covid-19. Fora!. Acessado em 25 de março de 2020. Disponível em <https://fora.global/2020/03/25/analise-bolsonaro-escolhe-ser-o-lider-mais-inepto-para-lidar-com-covid-19/>.

APA:

Flávio Henrique Soeiro de Castro. (25 de março de 2020). Fora!. https://fora.global/2020/03/25/analise-bolsonaro-escolhe-ser-o-lider-mais-inepto-para-lidar-com-covid-19/.

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