Colômbia, Equador, Peru e Brasil mobilizam tropas para impedir disseminação do novo coronavírus

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Em meio ao estado de emergência que o Peru vive devido à Covid-19, o governo de Martín Vizcarra deslocou no sábado, 4 de abril, forças militares e veículos blindados para a área de fronteira a norte de Aguas Verdes (Tumbes), na fronteira com Huaquillas, em território equatoriano. Brasil e Colômbia adotaram medidas similares.

Peru e Equador

O objetivo da operação: desmantelar vinte e duas rotas clandestinas que existem na área. Segundo o Ministério da Defesa do Peru, elas seriam usadas ​​como meio de entrada para migrantes equatorianos e venezuelanos.

Equipados com visão noturna, os blindados peruanos começaram a chegar a Aguas Verdes às 11 horas de sábado (hora local). Na localidade, Tomás Arizola, chefe do Comando Conjunto das Forças Armadas, supervisionou o movimento da patrulha para a guarda de fronteira.

Na tarde de sexta-feira, 3 de abril, Walter Martos, ministro da defesa do Peru, anunciou a descoberta das rotas irregulares. Segundo o funcionário, os “coyoteros” – aqueles que se dedicam à mobilização e tráfico ilegal de pessoas – os usavam para dar entrada aos migrantes.

Os primeiros levantamentos mostraram que “a maioria das pessoas que passam clandestinamente o fazem à noite”, disse Martos durante uma conferência virtual.

O reforço da área de fronteira – de acordo com as autoridades – responde a uma medida preventiva de segurança do Peru para conter o impacto da COVID-19 em seu território. De fato, desde 16 de março, o governo estabeleceu dois eixos para conter o vírus: o fechamento total de fronteiras e a imobilização de cidadãos em nível nacional.

Durante uma conferência de imprensa, Vizcarra reiterou a ordem para Martos e se referiu à situação “séria” e difícil que o Equador enfrenta, com o registro de 3.465 pessoas infectadas e 172 mortas pelo vírus até sábado, 4 de abril.

O Peru diz que deseja manter um diálogo aberto com o Equador. Martos disse, através do site Portfólio Estadual: “Conversei pessoalmente com o ministro da defesa do Equador (Oswaldo Jarrín) para informá-lo que o movimento de veículos blindados na fronteira foi realizado exclusivamente para controlar a passagem clandestina de migrantes ilegais”.

Além do controle no solo, o Peru reforçou as patrulhas marítimas na costa norte do país para conter a passagem ilegal pelo mar.

A rede de televisão equatoriana Teleamazonas noticiou o fato com o vídeo abaixo:

O Russia Today em espanhol também noticiou o fato com imagens (ver vídeo abaixo):

Colômbia

O Exército Nacional da Colômbia realiza operações de controle territorial ao longo dos 2.208 quilômetros de fronteira com o Brasil, Equador e Peru, em cumprimento às ordens presidenciais de conter a propagação da pandemia do COVID-19 .

A 6º Divisão do Exército Colombiano, com tropas da 26º Brigada e da 27º Brigada de Selva, estão mantendo dispositivos de segurança, através de postos de controle terrestre e fluvial, em conjunto com a Marinha Nacional e a Força Aérea Colombiana, e em coordenação com a Polícia Nacional. Os governos locais de Amazonas e Putumayo também participam desse plano.

Nesse contexto, três fases iniciais foram desenvolvidas para realizar operações de cobertura nos 322 quilômetros da fronteira com o Equador.

A primeira etapa, chamada de fase de prevenção, começa com posicionamento de três pelotões, que fornecem segurança em quatro pontos de fronteira.

Da mesma forma, em resposta às exigências do Ministério do Interior e às solicitações da comunidade, uma tenda de controle sanitário foi instalada pelas unidades da 27ª Brigada de Selva, na Ponte Internacional San Miguel, para facilitar o atendimento e a triagem do pessoal autorizado a transitar antes do fechamento da fronteira.

Durante a segunda e terceira fases foram posicionados 14 pelotões que cobrem 13 passagens de fronteira, com a Força Naval do Sul, presente em mais três passagens e, dessa forma, estão cobertas 16 passagens de fronteira com o Equador.

Sobrevoos de reconhecimento por aeronaves tripuladas remotamente do Comando Aéreo de Combate nº 6 também foram destacados, sem detectar, até o momento, movimentos anormais na fronteira.

Também foram realizadas coordenações com a 19ª Brigada de Selva, o 55º e o 56º Batalhões de Infantaria, as unidades de contrapartida do exército equatoriano e uma videoconferência com seus comandantes, para analisar o progresso das medidas adotadas com relação a no fechamento da fronteira.

Coordenação da Colômbia com o Brasil e o Peru

No departamento do Amazonas (Colômbia), a 26ª Brigada de Selva colombiana realiza operações multilaterais com o Exército Brasileiro e a Polícia Federal do Brasil, bem como a Marinha do Peru, para garantir a segurança nos 1.886 quilômetros de fronteira compartilhados entre esses países.

Na localidade também existem postos de controle nas passagens de fronteira e são realizadas constantes patrulhas terrestres e fluviais, para manter o controle na área.

Além do exposto, acrescenta-se a coordenação desenvolvida com a guarda indígena da comunidade Inga, que de maneira articulada garante segurança na ponte internacional, enquanto no departamento do Amazonas é realizada uma coordenação permanente com as autoridades civis.

Em conjunto com as operações de cunho militar, foi desenvolvida uma campanha de telefonemas, entrega de panfletos e máscaras, entrega de mercadorias e, por fim, distribuição de água, em comunidades vulneráveis ​​nas localidades de Putumayo e Amazonas.

Espera-se que tais ações permitam que os habitantes da região permaneçam em casa, cumprindo as medidas de contenção do governo colombiano para conter a disseminação do COVID-19.

Medidas adotadas pelo Brasil

No dia 23 de março, o 6° Batalhão de Infantaria de Selva, em apoio à Polícia Federal, realizou ação preventiva à pandemia COVID-19 na região do Porto Oficial de Guajará-Mirim, fazendo controle do acesso à fronteira com a Bolívia. Durante a operação, foram apreendidas duas embarcações e presos dois bolivianos enquanto tentavam entrar ilegalmente no Brasil.

No dia 25 de março, militares da área de saúde da 22ª Brigada de Infantaria de Selva foram capacitados na Superintendência de Vigilância em Saúde, em Macapá. O treinamento englobou conceitos básicos sobre a caracterização e a etimologia do vírus, características do ponto de vista epidemiológico e clínico, fluxo de atendimento, preenchimento da ficha de notificação e questões relacionadas aos equipamentos de proteção individual. A capacitação teve como foco principal a atuação dos militares e agentes de saúde do estado na coleta e execução de testes rápidos do coronavírus no Amapá. A 22ª Brigada de Infantaria de Selva também está realizando patrulhas fluviais no Rio Oiapoque e na fronteira com a Guiana, entre outras ações não especificadas pelo comando do Exército.

No dia 30 de março, a Embaixada do Brasil no Equador realizou uma operação de repatriamento de 149 brasileiros que ficaram retidos em território equatoriano, em decorrência de medidas de isolamento ante a pandemia da COVID-19. A Aditância do Exército participou do planejamento e execução do translado da zona norte de Quito até o Aeroporto Internacional Mariscal Sucre. Entre os muitos impedidos de regressar, estavam a Equipe Paralímpica Brasileira de Natação, além de quatro militares das Forças Armadas. Ao final, todos foram embarcados em um voo humanitário, contratado pelo Ministério das Relações Exteriores, e regressaram ao Brasil em segurança.

Desde o dia 31 de março o 22º Batalhão Logístico leve (aeromóvel) vem adaptando seus maquinários da oficina de capotaria e correaria, e treinando seu pessoal para confeccionar máscaras reutilizáveis de tecido de algodão para a proteção dos militares da organizações Militares apoiadas. O primeiro lote fabricado foi entregue ao comando militar do sudeste.

Nos dias 3 e 4 de abril, o Comando Conjunto Oeste, por intermédio da Força Terrestre Componente Pantanal apoiou os órgãos governamentais de saúde, segurança pública e fiscalização no repatriamento de 745 brasileiros vindos da Bolívia, devido à pandemia do novo coronavírus (COVID-19). Ao chegar a Corumbá, no Posto de Imigração Esdras, os brasileiros passaram pelas barracas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), Vigilância Sanitária Estadual, Polícia Federal, Receita Federal e interiorização; nestes locais os brasileiros foram orientados quanto ao enfrentamento da pandemia e passaram por procedimentos de desinfecção individual, o que incluiu roupas, calçados e bagagens, bem como conferência de documentos e controle aduaneiro de mercadorias. Também foram submetidos a uma consulta médica de rotina para avaliar possíveis sintomas.

O Comando Conjunto Nordeste, por sua vez, tem distribuído água, alimentos e suprimentos médicos nos estados de Alagoas, Ceará, Pernambuco, Piauí e Sergipe. Em Recife, Pernambuco, os militares participaram de treinamento em Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear, no Centro de Preparação de Oficiais da Reserva.

Diversas unidades têm sido mobilizadas para a realização de doações de sangue a hemocentros e desinfecção de locais públicos, e o treinamento de equipes médicas e logísticas têm sido intensificado.

Para citar este artigo, use os padrões abaixo.

ABNT:

Redação do Fora!. Colômbia, Equador, Peru e Brasil mobilizam tropas para impedir disseminação do novo coronavírus. Fora!. Acessado em 7 de abril de 2020. Disponível em <https://fora.global/2020/04/07/colombia-equador-peru-e-brasil-mobilizam-tropas-para-impedir-disseminacao-do-novo-coronavirus/>.

APA:

Redação do Fora!. (7 de abril de 2020). Fora!. https://fora.global/2020/04/07/colombia-equador-peru-e-brasil-mobilizam-tropas-para-impedir-disseminacao-do-novo-coronavirus/.

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