China é acusada pelos EUA de conduzir testes nucleares; governo chinês nega

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Mísseis intercontinentais Dongfeng-41 em Pequim no ano passado. Foto: Xinhua/REX/Shutterstock

O Departamento de Estado dos EUA alegou que a China pode ter secretamente realizado um teste nuclear subterrâneo de baixa intensidade, acusação que provavelmente inflamará ainda mais as relações já ruins entre Washington e Pequim.

Um relatório sobre a conformidade do controle de armas não oferece provas, mas aponta evidências circunstanciais de escavações e outras atividades intensificadas no local de testes da China, em Lop Nur.

“A possível preparação da China para operar seu local de teste de Lop Nur o ano todo, o uso de câmaras de contenção explosivas, atividades extensivas de escavação em Lop Nur e a falta de transparência em suas atividades de teste nuclear… levantam preocupações sobre sua adesão ao padrão de zero nuclearização”, disse o relatório do departamento de estado, revelado pela primeira vez pelo Wall Street Journal.

Tanto os EUA quanto a China assinaram o Tratado de Proibição Completa de Testes (CTBT), concluído em 1996, mas nenhum país o ratificou e, como resultado, o acordo não entrou em vigor. No entanto, a China jurou aderir aos termos do CTBT e os EUA têm observado uma moratória nos testes nucleares.

Se o tratado estivesse em vigor, ele incluiria um mecanismo para inspeções em locais suspeitos de abrigarem testes nucleares.

A agência de inteligência de defesa dos EUA lançou acusações semelhantes contra a Rússia em maio do ano passado, que nunca foram confirmadas. Políticos de alto escalão dos EUA pediram que o governo Trump formalmente rompa com o CTBT, deixando-os livre para realizar novos testes nucleares.

“Pequim está modernizando seu arsenal nuclear, enquanto os Estados Unidos se algemam com controle unilateral de armas”, disse o senador republicano Tom Cotton no Twitter. “A China provou que não pode trabalhar conosco honestamente.”

Jeffrey Lewis, especialista em armas nucleares do Instituto Middlebury de Estudos Internacionais, disse que as evidências disponíveis eram possivelmente consistentes com testes de baixo poder destrutivo ou com “testes sub-críticos”, que não envolvem fissão nuclear e são permitidos pelo CTBT.

“Vale a pena notar o quão pouca é a evidência para essas alegações”, escreveu Lewis. “EUA, Rússia e China, todos realizam testes subcríticos… Em satélites e estações sísmicas, os testes subcríticos são indistinguíveis dos testes nucleares de baixo rendimento”.

Os documentos podem piorar as relações entre os dois países, já prejudicadas pelas acusações norte-americanas de que a pandemia global do Covid-19 resultou do mau gerenciamento, por Pequim, de um surto de coronavírus em 2019 na cidade de Wuhan.

As evidências citadas pelo relatório do departamento de estado alegavam que Pequim realizava o bloqueio de transmissões de dados de sensores ligados a um centro internacional de monitoramento. No entanto, uma porta-voz da Organização do Tratado de Proibição Completa de Testes (CTBTO), que verifica a conformidade com o pacto, disse que não houve interrupções nas transmissões de dados das cinco estações sensoriais da China desde setembro de 2019. Antes disso, havia interrupções como resultado do processo de negociação entre a CTBTO e a China sobre as providências para colocar as estações em operação.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Zhao Lijian, disse em uma entrevista em Pequim que a China estava comprometida com uma moratória em testes nucleares e que os Estados Unidos estavam fazendo acusações falsas.

“A China sempre adotou uma atitude responsável, cumprindo com seriedade as obrigações internacionais e as promessas que assumiu”, afirmou. “As críticas americanas à China são totalmente infundadas, sem base, e não merecem refutação”.

Uma autoridade sênior dos EUA disse que as preocupações com as atividades de testes da China reforçaram o argumento do presidente Donald Trump de que é necessário conseguir que a China se junte aos EUA e à Rússia em negociações sobre um acordo de controle de armas para substituir o tratado New Start, de 2010, entre Washington e Moscou – que expira em fevereiro do próximo ano.

O New Start restringiu os EUA e a Rússia a implantar não mais que 1.550 ogivas nucleares, o nível mais baixo em décadas, e limitou os mísseis, bombardeiros terrestres e submarinos que as entregam.

“O ritmo e a maneira pela qual o governo chinês está modernizando seus armamentos é preocupante, desestabilizador e ilustra o motivo pelo qual a China deve ser incorporada à estrutura global de controle de armas”, disse um alto funcionário dos EUA sob condição de anonimato.

Estima-se que a China tenha cerca de 300 armas nucleares. O país rejeitou repetidamente a proposta dos estadunidenses, argumentando que sua força nuclear é defensiva e não representa ameaça.

Rússia, França e Grã-Bretanha – três das cinco potências nucleares reconhecidas internacionalmente – assinaram e ratificaram o Tratado de Proibição Completa de Testes, que ainda exige a ratificação por 44 países para se tornar lei internacional.

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Redação do Fora!. China é acusada pelos EUA de conduzir testes nucleares; governo chinês nega. Fora!. Acessado em 16 de abril de 2020. Disponível em <https://fora.global/2020/04/16/china-e-acusada-pelos-eua-de-conduzir-testes-nucleares-governo-chines-nega/>.

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Redação do Fora!. (16 de abril de 2020). Fora!. https://fora.global/2020/04/16/china-e-acusada-pelos-eua-de-conduzir-testes-nucleares-governo-chines-nega/.

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