OIT: Mais de 1,6 bilhões de trabalhadores informais em situação de risco

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Sede da Organização Internacional do Trabalho em Genebra. Fonte: Keystone

Com informações de Reuters

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) alertou nesta segunda-feira, dia 29 de abril, que mais de 1,6 bilhões de trabalhadores informais correm o risco de perder seus meios de subsistência em consequência dos efeitos da pandemia de COVID-19.

Esse prognóstico foi divulgado hoje em um relatório da organização que trata das condições de trabalho que surgirão em conformidade com os efeitos globais do coronavírus e das quarentenas. O relatório também alerta para o fechamento de mais de 436 milhões de empresas cujos serviços estariam interrompidos devido à crise.

Trata-se do terceiro relatório que a OIT divulga acerca dos efeitos da pandemia no mercado de trabalho. “É notável, imagino, nos termos mais drásticos possíveis, que a crise no setor empregatício e todas suas consequências são ainda mais profundas do que nossas estimativas de três semanas atrás” resumiu o diretor-geral da OIT, Guy Ryder, prevendo uma massiva propagação da pobreza.

Constituindo um terço do contingente global de mão de obra, os trabalhadores informais são também o elo mais vulnerável dos setores laborais. Estimando os primeiros meses em que a crise avançou, cerca de 2 bilhões de trabalhadores informais tiveram sua renda reduzida em 60%, conforme o relatório da OIT. Algo agravado pelo fato de que esse contingente não goza dos mesmos benefícios sociais que os demais trabalhadores. “Para milhões de trabalhadores, falta de ganhos significa falta de comida, segurança e futuro. Milhões de empreendimentos por todo o mundo mal respiram”, declarou Ryder. “Eles não têm poupança ou acesso a crédito. São as verdadeiras caras do mundo do trabalho. Se não os ajudarmos agora, vão perecer”.

Sobre os setores que estão sendo afetados pela pandemia, a OIT calculou 232 milhões de negócios relacionados aos setores de varejo e atacadista se encontram em risco. Também seriam afetados 111 milhões do setor de manufaturas, 51 milhões do ramo de hotelarias e 42 milhões de demais atividades, incluso o mercado imobiliário e alimentício.

Também calcularam os efeitos da pandemia sobre as horas de trabalho. O relatório compreendeu uma queda de 10,5% nas horas de trabalho em comparação com os tempos pré-crise. Essa perda na carga horária reflete decréscimo de 305 milhões de empregos em tempo integral, afetando mais as regiões das Américas, da Europa e da Ásia Central.

Como o cenário a longo prazo é incerto, o relatório da OIT clama por medidas governamentais para proteger os grupos mais vulneráveis e para resguardar a economia global. “O eventual crescimento global do desemprego em 2020 vai depender substancialmente de como as tarifas econômicas globais estarão na segunda metade do ano e como as políticas adotadas vão preservar os empregos existentes e incrementar a demanda laboral conforme a fase de recuperação começar”, diz o relatório. Sobre a proteção aos vulneráveis, a OIT recomendou aos governos para acelerarem a concessão de seguros-desemprego, entendendo-os para trabalhadores autônomos, e também potencializar créditos e empréstimos para pequenos negócios e trabalhadores informais.

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ABNT:

Gabriel Caio Corrêa Borges. OIT: Mais de 1,6 bilhões de trabalhadores informais em situação de risco. Fora!. Acessado em 29 de abril de 2020. Disponível em <https://fora.global/2020/04/29/oit-mais-de-16-bilhoes-de-trabalhadores-informais-em-situacao-de-risco/>.

APA:

Gabriel Caio Corrêa Borges. (29 de abril de 2020). Fora!. https://fora.global/2020/04/29/oit-mais-de-16-bilhoes-de-trabalhadores-informais-em-situacao-de-risco/.

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