Líbano: intensos protestos contra o FMI

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Protesto no Líbano em outubro de 2019. Foto: AFP.

Centenas de libaneses se reuniram na sexta-feira (01/05) do lado de fora do Banco Central, em Beirute, e em outros lugares do país, um dia depois que o primeiro-ministro disse que iria buscar um plano de resgate do Fundo Monetário Internacional (FMI) para lidar com a crise econômica e financeira.

Os manifestantes criticaram a forma como o governo lida com a crise sem precedentes, que viu a moeda local cair, devastar as economias das famílias e fazer com que os preços e a inflação disparassem. Houve brigas do lado de fora de um banco privado e tropas foram vistas batendo e levando embora pelo menos um manifestante.

O governo “nem mesmo está fornecendo as necessidades mais básicas”, disse Ahmad Demashqia, manifestante em Beirute. Também houve manifestações no norte e no sul do Líbano para comemorar o Dia Internacional do Trabalho.

O primeiro-ministro libanês, Hassan Diab, assinou na sexta-feira o pedido oficial de assistência ao FMI. Ele disse que o governo deu “o primeiro passo no caminho para salvar o Líbano do poço financeiro profundo”. Na quinta-feira, o gabinete adotou um plano de resgate.

A França disse na sexta-feira que é urgente que o Líbano implemente as reformas, descrevendo o plano de resgate como essencial para a recuperação do país.

“É com base nisso que a França está pronta para apoiar os esforços do Líbano”, disse a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da França, Agnes von der Muhll, em comunicado.

Mas os manifestantes estavam céticos. Na cidade de Sidon, no sul, Omar al-Mughrabi, de 19 anos, disse que o país precisa de mudanças radicais – não de reformas de políticas fracassadas ou ineficazes.

“Ir ao FMI não é a solução”, disse al-Mughrabi. “Não precisamos de mais dívida do que já temos”.

A Associação Bancária do Líbano também expressou oposição à medida do governo, dizendo que “de maneira alguma” poderia endossar um plano de resgate que “destruiria ainda mais a confiança” no país.

O Líbano, uma das nações mais endividadas do mundo, deixou de pagar em março, pela primeira vez, sua dívida soberana. Os protestos antigovernamentais que eclodiram em outubro diminuíram durante um bloqueio nacional, iniciado em meados de março, para atenuar a disseminação do coronavírus. O Líbano, um país de cinco milhões de pessoas, registrou apenas 729 casos e 24 mortes, e começou a diminuir algumas restrições de vírus nesta semana.

Muitos dos manifestantes usavam máscaras contra o vírus. Os protestos desta sexta-feira aparentam ser uma continuação de protestos similares que ocorrem no país desde o ano passado.

O bloqueio piorou a forte recessão, aumentando o desemprego e o ressentimento popular. Nos últimos dias, os manifestantes ignoraram as medidas de distanciamento social e os pedidos para ficarem em casa, para protestar fora do banco central e dos bancos privados, desencadeando confrontos com as forças de segurança e o exército. Na cidade de Trípoli, no norte (não confundir com cidades homônimas da Líbia e da Grécia), um manifestante foi morto no início desta semana.

Os preços dos bens básicos aumentaram, em alguns casos, mais de 60%. A libra libanesa, atrelada ao dólar por 30 anos, perdeu quase 60% de seu valor.

Com uma moeda nacional estável, os libaneses usavam sua libra e o dólar de forma intercambiável, com muitos mantendo suas economias em dólares. Para lidar com uma crise de liquidez e uma enorme fatura de importações, o Banco Central decretou que a maioria das retiradas só poderia ser na moeda local. A decisão enfraqueceu ainda mais a libra libanesa.

O vídeo abaixo, da rede de notícias alemã Deutsche Welle, mostra os protestos.

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Redação do Fora!. Líbano: intensos protestos contra o FMI. Fora!. Acessado em 2 de maio de 2020. Disponível em <https://fora.global/2020/05/02/libano-intensos-protestos-contra-o-fmi/>.

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Redação do Fora!. (2 de maio de 2020). Fora!. https://fora.global/2020/05/02/libano-intensos-protestos-contra-o-fmi/.

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