Mali: dezenas de soldados desaparecidos ou mortos após um ataque jihadista

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Um soldado malês em patrulha entre Mopti e Djenne, Mali central. Foto: AFP.

Com informações de Le Monde.

Um comboio militar foi alvo de um ataque no centro do país neste domingo (14/06).

Dezenas de soldados estão mortos ou desaparecidos após um ataque supostamente realizado por jihadistas no centro do Mali, disseram oficiais militares na segunda-feira (15/06). Esta é a mais recente das operações atribuídas aos jihadistas contra as forças armadas do Mali e de países vizinhos. Elas causaram a morte de centenas de soldados nos últimos meses.

Um comboio militar composto por uma dúzia de veículos foi atacado no domingo na localidade de Bouka Weré, sudeste de Diabaly, a cem quilômetros da fronteira com a Mauritânia, disse um oficial militar sob condição de anonimato.

Alguns dos veículos conseguiram fugir do ataque, mas, dos 64 soldados no comboio, apenas cerca de vinte foram localizados, disse ele, sem quantificar o número de mortos. “Estão em andamento buscas para descobrir o destino dos soldados desaparecidos”, disse a fonte. A informação foi corroborada por outro oficial militar e um eleito de Diabaly, também falando sob condição de anonimato.

O Mali é atormentado desde 2012 por uma crise profunda e multifacetada que deixou milhares de civis e combatentes mortos e centenas de milhares de deslocados, apesar do apoio da comunidade internacional, da intervenção de ONU, e de forças africanas e francesas.

Apesar de um acordo de paz ter sido assinado em 2015 com os ex-rebeldes separatistas do norte, o país continua sendo vítima da violência de grupos jihadistas ligados à Al-Qaeda e ao Estado Islâmico, bem como de tensões intercomunitárias, fomentadas ou ventiladas por esses mesmos jihadistas, e de tráfico de todos os tipos. A autoridade do Estado é exercida apenas sobre partes do vasto território.

A violência iniciada no norte do Mali em 2012 se espalhou pelo centro do país, bem como pelos vizinhos Níger e Burkina Faso.

Desde que grupos armados que afirmam ser jihadistas se estabeleceram lá em 2015, o Mali central tem sido palco de todos os tipos de abusos: ataques ao pouco que resta do estado, massacres de moradores, acertos de contas e outras ações vis.

Esses grupos, na vanguarda dos quais está a Katiba Macina (Frente de Libertação do Macina), do pregador Fulani Amadou Koufa, afiliado à Al-Qaeda, prosperaram em meio a antigos antagonismos ligados à terra, entre pastores e agricultores, entre grupos étnicos e até mesmo entre comunidades. A Katiba Macina recruta amplamente entre os Fulani, enquanto os grupos étnicos Bambara e Dogon criaram seus próprios “grupos de autodefesa”.

O estado do Mali está tentando da melhor maneira possível, com o apoio de seus aliados, liderar o combate militar e a ação política, essencial para uma solução geral para a crise. O presidente Ibrahim Boubacar Keïta, no entanto, enfrenta um sério desafio interno desde as eleições legislativas de março/abril, em um momento delicado do envolvimento internacional no Sahel.

No dia 5 de junho, uma heterogênea coalizão de líderes religiosos, políticos e sociedade civil tomaram as ruas, com dezenas de maleses, para exigir sua renúncia. Acredita-se que voltarão a se manifestar na sexta-feira.

Diante da deterioração da situação de segurança, o presidente do Mali reconheceu em fevereiro que procurava dialogar com certos jihadistas, rompendo com as diretrizes anteriormente seguidas oficialmente. Desde então, não há nada que indique que essas aberturas teriam se materializado.

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Redação do Fora!. Mali: dezenas de soldados desaparecidos ou mortos após um ataque jihadista. Fora!. Acessado em 15 de junho de 2020. Disponível em <https://fora.global/2020/06/15/mali-dezenas-de-soldados-desaparecidos-ou-mortos-apos-um-ataque-jihadista/>.

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Redação do Fora!. (15 de junho de 2020). Fora!. https://fora.global/2020/06/15/mali-dezenas-de-soldados-desaparecidos-ou-mortos-apos-um-ataque-jihadista/.

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