Tribunal da Rússia condena homem a 16 anos de prisão por espionar para os EUA

Tempo de leitura: 6 minutos
Foto: Dimitar Dilkoff/AFP.

Um tribunal russo condenou nesta segunda-feira (15/06) o americano Paul Whelan a 16 anos em uma prisão de segurança máxima, depois de ser considerado culpado de espionagem em prol dos Estados Unidos.

Whelan, um ex-fuzileiro naval de 50 anos, que também tem nacionalidade britânica, canadense e irlandesa, foi preso em dezembro de 2018 em um hotel de luxo em Moscou, onde participou de um casamento. O americano garante que ele é vítima de um “caso político fabricado” que tem o objetivo de trocá-lo por russos prisioneiros nos Estados Unidos. O advogado de Whelan já declarou que irá recorrer. O julgamento pode corroer ainda mais as complicadas relações entre Moscou e Washington.

Whelan foi acusado de obter “segredos de estado”, e por isso o caso foi mantido a portas fechadas. No momento da prisão ele tinha um drive USB que uma pessoa que ele conhecera na internet havia lhe dado e que supostamente “continha a lista completa dos funcionários de um serviço secreto russo”, de acordo com a acusação.

Ele foi dispensado desonrosamente como fuzileiro naval dos EUA antes de trabalhar como chefe de segurança de uma empresa automobilística no mesmo país. Whelan diz que não sabia que havia material sigiloso no pen drive e que acreditava que ele continha fotografias de igrejas e outros edifícios de interesse arquitetônico. Ele visitou a Rússia várias vezes e, segundo seus advogados, está interessado na história e na cultura russa. Eles alegam que o americano foi vítima de indução ao delito.

As autoridades russas dizem que o Serviço Federal de Segurança, órgão herdeiro da KGB, que apresentou o caso contra Whelan, o surpreendeu “em flagrante”. O americano sempre afirmou desde o início que ele é inocente e passou a se comparar com o personagem de comédia Mr. Bean. “A Rússia pensou que havia pego James Bond em uma missão de espionagem, mas na verdade eles sequestraram Bean nas férias”, declarou.

A Embaixada dos Estados Unidos em Moscou criticou o processo. “Este julgamento secreto no qual nenhuma evidência foi apresentada é uma violação flagrante dos direitos humanos e das normas legais internacionais”, disse o embaixador dos EUA, John Sullivan, em um comentário postado no Twitter nesta segunda-feira pela porta-voz da representação, Rebecca Ross. “Os Estados Unidos exigem que o cidadão americano Paul Whelan seja libertado imediatamente. Sua condenação é uma zombaria da justiça. O mundo está assistindo”, disse.

O secretário de estado dos EUA, Mike Pompeo, também se manifestou:

Um dos advogados do ex-fuzileiro naval, Vladimir Zherebenkov, ficou muito desapontado com a sentença – dois anos menor do que os 18 anos pedidos pela promotoria -, mas disse que já esperava esse resultado. Sua equipe diz que ele já recebeu propostas não oficiais para fazer a troca de Whelan por outros prisioneiros. Eles acreditam que os principais candidatos são Viktor Bout, um empresário russo condenado em 2012 nos Estados Unidos por conspirar para matar cidadãos e oficiais dos EUA, entregar armas e ajudar uma organização terrorista; e Konstantín Yaroshenko, um piloto russo condenado por tráfico de drogas. Além disso, Whelan poderia pedir indulto.

O irmão gêmeo de Whelan, David, criticou o caso em um comunicado, dizendo que espera que Moscou e Washington em breve comecem a negociar a libertação de Paul. “O sistema jurídico russo foi considerado culpado de injustiça”, disse ele. O ex-fuzileiro reclamou de ser maltratado na prisão. No final de maio, ele foi operado devido a uma hérnia.

Para citar este artigo, use os padrões abaixo.

ABNT:

Redação do Fora!. Tribunal da Rússia condena homem a 16 anos de prisão por espionar para os EUA. Fora!. Acessado em 15 de junho de 2020. Disponível em <https://fora.global/2020/06/15/tribunal-da-russia-condena-homem-a-16-anos-de-prisao-por-espionar-para-os-eua/>.

APA:

Redação do Fora!. (15 de junho de 2020). Fora!. https://fora.global/2020/06/15/tribunal-da-russia-condena-homem-a-16-anos-de-prisao-por-espionar-para-os-eua/.

Adaptações na ordem nome-sobrenome, bem como em outros elementos, podem ser necessárias. Se o texto tem co-autores ou se trata de uma tradução, os co-autores/tradutores devem ser revisados manualmente devido a limitações em nosso script.

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*