China ameaça Reino Unido e EUA por interferência em Hong Kong

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Membros do legislativo de Hong Kong levantam placas de protesto contra legisladores pró-China, em maio de 2020. Foto: Anthony Kwan.

Pequim ameaçou o Reino Unido com “medidas correspondentes” e denunciou projeto de lei norte-americano pedindo sanções contra a lei de segurança de Hong Kong.

A China criticou a decisão do Reino Unido de oferecer um caminho para obtenção de cidadania para os residentes de Hong Kong, ameaçando possíveis “medidas correspondentes” e alertando contra interferências no território semi-autônomo da China.

Em comunicado divulgado na quinta-feira, a embaixada chinesa em Londres enfatizou que todos os “compatriotas chineses residentes em Hong Kong são cidadãos chineses” e disse que a oferta do Reino Unido é uma violação das comunicações passadas entre os dois lados.

A medida britânica – que pode permitir que até três milhões de habitantes de Hong Kong se estabeleçam no Reino Unido e, depois, solicitem a cidadania – veio em resposta a uma nova lei de segurança nacional que a China promulgou em Hong Kong na última semana.

A cidade era um território britânico até seu retorno ao domínio chinês em 1997 e, na época da transferência, a China prometeu garantir a autonomia legislativa e judicial da cidade sob uma política de “um país, dois sistemas”, por 50 anos.

Mas, com Pequim buscando punir o que chama de separatismo e interferência estrangeira em Hong Kong, os críticos temem que a legislação ponha um fim à autonomia e às liberdades da cidade, incluindo o direito à liberdade de expressão e reunião.

A nova legislação provocou críticas generalizadas, com os Estados Unidos também encerrando o status especial de Hong Kong sob suas leis, interrompendo as exportações de defesa e restringindo o acesso do território a produtos de alta tecnologia. Enquanto isso, o Departamento de Estado dos EUA proibiu as autoridades responsáveis ​​por violações de direitos em Hong Kong de entrarem no país, enquanto a Câmara dos Deputados aprovou na quarta-feira, por unanimidade, um projeto de lei que impõe sanções contra autoridades chinesas responsáveis pela elaboração da nova lei de segurança.

A Austrália também criticou a decisão de Pequim e disse que está considerando oferecer “oportunidades semelhantes” para as pessoas de Hong Kong, similares às oferecidas pelo Reino Unido.

Em seu comunicado, a embaixada chinesa em Londres pediu ao governo britânico que “visse de maneira objetiva e justa” a lei de segurança nacional e respeitasse a posição de Pequim.

“Se o lado britânico fizer mudanças unilaterais na prática relevante, violará sua própria posição e compromissos, bem como o direito internacional e as normas básicas que regem as relações internacionais”, afirmou, acrescentando: “Nós nos opomos firmemente a isso e nos reservamos o direito de tomar medidas correspondentes”.

Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China criticou posteriormente os movimentos dos EUA e da Austrália, dizendo: “Nenhum país estrangeiro tem o direito de interferir”.

Zhao Lijian disse que a decisão de Washington de obstruir a implementação da nova lei “está fadada ao fracasso”, dizendo que a China “definitivamente tomará fortes contramedidas e todas as consequências serão suportadas pelo lado americano”.

A China já anunciou restrições de visto contra os “indivíduos que se comportaram de forma flagrante” em questões relacionadas a Hong Kong.

Separadamente, Taiwan, uma ilha auto-governada que Pequim afirma ser sua, alertou os cidadãos de Taiwan a evitar visitas desnecessárias ou transitar por Hong Kong, Macau ou China continental, chamando a lei de “a mais ultrajante da história”.

Em Hong Kong, um grupo de legisladores pró-Pequim e cerca de 20 apoiadores se reuniram fora do consulado dos EUA na quinta-feira para condenar “interferências americanas e estrangeiras nos assuntos internos da China”.

Elizabeth Quat, membra da legislatura de Hong Kong, disse que a prisão de 370 manifestantes durante manifestações contra a lei na quarta-feira mostrou que a legislação é necessária para “restaurar” a paz na cidade.

Hong Kong mergulhou em turbulências no ano passado, quando um projeto de lei que propunha a extradição para a China continental desencadeou meses de protestos em massa que às vezes caíam em violência. Os protestos conseguiram que as autoridades de Hong Kong arquivassem o projeto de extradição, mas levaram o governo central de Pequim a contornar a legislatura da cidade e impor a lei de segurança nacional.

A mídia estatal chinesa disse na quinta-feira que a legislação trará “prosperidade e estabilidade”.

“Devemos encarar o fato de que a existência de brechas legais para salvaguardar a segurança nacional já fez a sociedade de Hong Kong pagar um preço muito alto”, dizia um comentário no People’s Daily, o jornal oficial do Partido Comunista.

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Redação do Fora!. China ameaça Reino Unido e EUA por interferência em Hong Kong. Fora!. Acessado em 2 de julho de 2020. Disponível em <https://fora.global/2020/07/02/china-ameaca-reino-unido-e-eua-por-interferencia-em-hong-kong/>.

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Redação do Fora!. (2 de julho de 2020). Fora!. https://fora.global/2020/07/02/china-ameaca-reino-unido-e-eua-por-interferencia-em-hong-kong/.

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