Mesmo rivais, Fatah e Hamas se unem contra anexação da Cisjordânia

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Representante do Fatah, Jibril Rajoub, fala à imprensa enquanto representante do Hamas, Saleh al-Arouri, aparece em uma tela durante videoconferência, em 02 de julho de 2020. Foto: Reuters.

Os grupos palestinos rivais Fatah e Hamas disseram que trabalharão juntos para lutar contra a anexação planejada por Israel de grandes partes da Cisjordânia ocupada.

Em uma rara entrevista coletiva conjunta na quinta-feira, autoridades dos dois grupos disseram que havia um consenso nacional contra o plano de Israel, que também foi amplamente criticado por grande parte da comunidade internacional.

“Vamos pôr em prática todas as medidas necessárias para garantir a unidade nacional” nos esforços contra o plano de Israel, disse o representante do Fatah, Jibril Rajub, em Ramallah, durante a entrevista coletiva, da qual também participou o representante do Hamas, Saleh al-Arouri, por videoconferência realizada a partir da capital do Líbano, Beirute.

“Hoje, queremos falar em uma única voz”, afirmou Rajub, reiterando o apelo dos líderes palestinos por um estado palestino independente ao longo das linhas de 1967, com Jerusalém Oriental como sua capital.

O plano israelense, que visa anexar todos os assentamentos judeus na Cisjordânia ocupada – incluindo o estratégico Vale do Jordão – atinge um terço do território e está alinhado com uma proposta do presidente dos EUA, Donald Trump, que prevê um estado palestino desmilitarizado em uma colcha de retalhos composta por partes desconexas dos territórios palestinos.

Por sua vez, al-Arouri, vice-chefe da ala política do Hamas, que administra a sitiada Faixa de Gaza, alertou para os “perigos” sem precedentes que podem surgir se o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu for adiante com a anexação.

“Anexar qualquer porcentagem da Cisjordânia agora significa que mais se seguirão… Se a ocupação acabar controlando o vale do Jordão, Jerusalém e outras áreas, haverá um apetite por mais”, disse al-Arouri.

As declarações das autoridades palestinas acontecem um dia após a data de início planejada para o gabinete de Israel começar a debater o assunto. Mas autoridades israelenses disseram que o processo ocorrerá ainda este mês, em coordenação com Washington.

Especialistas da ONU dizem que a anexação do território ocupado é uma violação grave da Carta das Nações Unidas e da Convenção de Genebra.

“A anexação é ilegal. Ponto”, disse Michelle Bachelet, alta comissária da ONU para direitos humanos, em comunicado divulgado na segunda-feira. “Qualquer anexação. Seja 30% da Cisjordânia ou 5%”.

Se o governo de Netanyahu continuar com o plano, extensões significativas de terras privadas provavelmente serão desapropriadas ilegalmente e, mesmo nos casos em que isso não ocorrer, muitos palestinos podem perder o acesso ao cultivo de suas próprias terras, alertou Bachelet.

Além disso, os palestinos que se encontram vivendo nas áreas anexadas provavelmente enfrentariam maiores dificuldades em acessar serviços essenciais como saúde e educação, enquanto o acesso humanitário também poderia ser bloqueado.

No entanto, muitos palestinos argumentam que a anexação é apenas uma formalidade para o que já vem acontecendo há anos. O aumento da construção de assentamentos nos últimos anos – juntamente com as estradas exclusivas de judeus que se conectam a Israel – desfiguraram o território, resultando em cidades, vilas e aldeias palestinas não contíguas que agora existem nos cantões.

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Redação do Fora!. Mesmo rivais, Fatah e Hamas se unem contra anexação da Cisjordânia. Fora!. Acessado em 2 de julho de 2020. Disponível em <https://fora.global/2020/07/02/mesmo-rivais-fatah-e-hamas-se-unem-contra-anexacao-da-cisjordania/>.

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Redação do Fora!. (2 de julho de 2020). Fora!. https://fora.global/2020/07/02/mesmo-rivais-fatah-e-hamas-se-unem-contra-anexacao-da-cisjordania/.

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