Tunísia: primeiro-ministro renuncia em meio a acusações de corrupção

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O ex-primeiro-ministro Elyes Fakhfakh.

Tensão política no parlamento tunisiano está distante de uma resolução

Com informações de Al Jazeera.

O primeiro-ministro tunisiano, Elyes Fakhfakh, renunciou na última quarta-feira (15/7), após ocupar o cargo por apenas 5 meses. Ele é acusado por opositores, incluindo o partido Ennahdha, de abusar de sua autoridade para ganhos pessoais.

Entretanto, o parlamento apresenta uma situação crítica que se estende há algum tempo. Na última eleição parlamentar da Tunísia, em outubro de 2019, o Ennahdha conquistou 52 cadeiras de um total de 217.

O Ennahdha escolheu Habib Jemli para o cargo de primeiro-ministro, mas o gabinete proposto não foi endossado pelos parlamentares, deixando nas mãos do presidente tunisiano, Kais Saied, a nomeação do primeiro-ministro.

Saied optou por Fakhfakh, que eventualmente conquistou aprovação do parlamento com sua proposta de coalizão governamental. O recém-empossado chefe parlamentar atraiu a ira do Ennahdha ao anunciar que seu governo não contaria com membros de partidos suspeitos de corrupção ou cujas ideologias não se alinhassem à revolução de 2011.

A campanha do Ennhahdha adotou o discurso anticorrupção, mas o partido apoiou a inclusão no parlamento do partido rival Qalb Tounes, apesar de um de seus fundadores, o magnata da mídia Nabil Karoui ter sido preso acusado de lavagem de dinheiro e evasão fiscal. O Qalb Tounes saiu da eleição com a segunda maior quantidade de cadeiras na eleição de outubro.

Nas últimas semanas o Ennahdha demonstrou seu desagrado com Fakhfakh por causa de alegações de conflito de interesses. Outros fatores contribuíram, como a exclusão de ministros do Ennahdha em processos decisórios.

Mês passado documentos revelaram que Fakhfakh detinha ações em empresas que ganharam contratos governamentais no valor de 44 milhões de dinares (cerca de 15 milhões de dólares). O primeiro-ministro negou as acusações e afirmou que renunciaria caso as investigações encontrassem evidências de atos indevidos.

A renúncia ocorreu depois do Ennahdha ameaçar propor uma moção de desconfiança perante o parlamento, mas a saída voluntária de Fakhfakh deve-se principalmente ao pedido do presidente Saied de que ele deixasse o cargo.

O presidente da Tunísia, apesar de ser o Chefe de Estado, tem seu mandato limitado constitucionalmente, e lida principalmente com assuntos de defesa e política externa. O primeiro-ministro é responsável pelo cotidiano governamental e a política econômica.

O pedido de Saied foi também uma forma de retaliar uma manifestação considerada inadequada do líder e porta-voz do Ennahdha, Rached Ghannouchi, que congratulou o governo líbio por repelir um ataque do militar renegado Khalifa Haftar. Sem derrubar Fakhfakh com a moção de desconfiança, o Ennadha não assume a tarefa de montar o próximo governo.

Contudo, a chance de estabilidade política passa por encontrar uma unidade em um parlamento fragmentado com mais de duas dezenas de partidos, sem que nenhum tenha maioria decisória, e um presidente que, embora popular, não possui base parlamentar.

O presidente tem até 26 de agosto para nomear o próximo primeiro-ministro. Caso não haja acordo entre os parlamentares sobre o ocupante do cargo, o parlamento será dissolvido e novas eleições deverão ocorrer dentro de três meses.

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ABNT:

Attila Piovesan. Tunísia: primeiro-ministro renuncia em meio a acusações de corrupção. Fora!. Acessado em 21 de julho de 2020. Disponível em <https://fora.global/2020/07/21/tunisia-primeiro-ministro-renuncia-em-meio-a-acusacoes-de-corrupcao/>.

APA:

Attila Piovesan. (21 de julho de 2020). Fora!. https://fora.global/2020/07/21/tunisia-primeiro-ministro-renuncia-em-meio-a-acusacoes-de-corrupcao/.

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