EUA: governo Trump ordena fechamento de consulado-geral da China em Houston

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Fonte da imagem: https://www.industryweek.com/the-economy/article/22025438/us-needs-china-more-than-china-needs-the-us

O consulado, estabelecido em 1979, deve encerrar suas atividades em até 72 horas.

Com informações da CNN e BBC.

Os Estados Unidos ordenaram o fechamento do consulado-geral chinês em Houston, Texas, na última terça-feira (21). A justificativa dada por Morgan Ortagus, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, foi a necessidade de “proteger a propriedade intelectual e informações privadas americanas”. O porta-voz do ministério do exterior chinês, Wang Webin, classificou a decisão como “ultrajante e injustificada”.

Também na terça-feira, o governo norte-americano acusou a China de patrocinar hackers para invadir laboratórios que estão desenvolvendo vacinas contra a Covid-19 (semana passada EUA, Reino Unido e Canadá fizeram acusação similar contra a Rússia).

Bombeiros foram chamados durante a noite por causa de fumaça vista saindo das instalações do consulado, mas tiveram a entrada negada. Filmagens realizadas por pessoas na vizinhança mostraram pilhas de papéis sendo queimadas em barris e contêineres.

O consulado chinês em Houston é apenas um entre cinco que existem nos Estados Unidos, além da embaixada da China em Washington, e não está claro o motivo da ordem de fechamento atingir somente este – embora a eliminação dos documentos pareça ter alguma relação com a determinação, que não é incomum no mundo diplomático em situações de crise e é praticada pelos próprios EUA.

O consulado-geral também cobria, além do Texas, os estados de Oklahoma, Louisiana, Arkansas, Mississippi, Alabama, Georgia, Florida e o território não incorporado de Porto Rico.

Ortagus afirmou que os EUA “não tolerarão a violação de nossa soberania e a intimidação ao nosso povo pela RPC [República Popular da China], assim como não toleramos as práticas comerciais desleais da RPC, o roubo dos postos de trabalho americanos e outras atitudes escandalosas”, reiterando que a Convenção de Viena proíbe as representações diplomáticas de interferir em assuntos internos da nação anfitriã.

Em outra declaração, o Departamento de Estado norte-americano acusou a China de promover espionagem massiva e operações de influência para interferir na política doméstica dos EUA, além de “coagir nossos líderes empresariais, ameaçar famílias sino-americanas que residem na China, e mais”.

Pequim entendeu a decisão como uma “escalada sem precedentes” que viola a lei internacional. Wang afirma que os EUA “transferem a culpa para a China com estigmatização e ataques não-provocados”, e sugere ao governo americano reconsiderar a atitude, pois, caso contrário, a “China reagirá com contramedidas firmes”.

“Na verdade, em termos do número de consulados e embaixadas chineses e americanos em cada país, e do número de equipes diplomáticas e consulares, os EUA têm bem mais gente trabalhando na China”, disse Wang, sinalizando que Pequim dará uma resposta equivalente.

O ministério do exterior da China emitiu um aviso aos cidadãos do país que estudam nos Estados Unidos, pois as “agências policiais dos EUA intensificaram interrogatórios arbitrários, assédio, confisco de objetos pessoais e detenção” de estudantes chineses. Há pouco tempo, os EUA ameaçaram suspender o visto de estudantes chineses, alegando ameaça de espionagem.

Em ano de eleição presidencial, no meio a uma pandemia global que afetou duramente os Estados Unidos, precedida pela guerra comercial entre China e EUA, há quem veja nesta ação uma forma do presidente Donald Trump conquistar alguma vantagem política, pois as pesquisas atuais mostram que Joe Biden lidera as intenções de voto – em boa parte, justamente por causa da maneira ineficiente como Trump lidou com a maior crise sanitária mundial em um século.

O senador independente e membro do Comitê de Inteligência do Senado norte-americano, Angus King, afirmou não ter conhecimento de algum relatório de inteligência sobre atividades específicas dos chineses em relação a eleições ou mesmo roubo de propriedade intelectual que pudesse motivar tal decisão.

King até acredita que “há um bom motivo para enfrentar a China”, mas questiona: “escalando esta tensão, isso é sobre realmente confrontar a China ou tem algo a ver com a eleição em quatro meses?”

Para citar este artigo, use os padrões abaixo.

ABNT:

Attila Piovesan. EUA: governo Trump ordena fechamento de consulado-geral da China em Houston. Fora!. Acessado em 22 de julho de 2020. Disponível em <https://fora.global/2020/07/22/eua-governo-trump-ordena-fechamento-de-consulado-geral-da-china-em-houston/>.

APA:

Attila Piovesan. (22 de julho de 2020). Fora!. https://fora.global/2020/07/22/eua-governo-trump-ordena-fechamento-de-consulado-geral-da-china-em-houston/.

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