Ex-agente da CIA preso por supostamente vender segredos para a China

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Nota à imprensa do Departamento de Justiça dos EUA a respeito do caso. A versão original pode ser lida aqui.

Alexander Yuk Ching Ma, 67 anos, é acusado de receber milhares de dólares em troca das informações. Suposto co-conspirador, de 85 anos, não será acusado “neste momento”, segundo autoridades dos EUA.

Um ex-oficial da CIA foi preso no Havaí e acusado de vender segredos para a China ao longo de vários anos, anunciou o departamento de justiça dos EUA.

De acordo com as acusações, o ex-espião americano – identificado como Alexander Yuk Ching Ma, de 67 anos – conspirou com um parente não identificado, também ex-oficial da CIA, para vender segredos em troca de dezenas de milhares de dólares e presentes.

Ma foi preso na sexta-feira, após uma operação policial conduzida pelo FBI. O parente foi identificado apenas como “co-conspirador 1”, um cidadão naturalizado de 85 anos que vivia em Los Angeles, e que trabalhou como oficial da CIA de 1971 a 1982 com o nível de autorização mais alto, com acesso à identidade de oficiais secretos da agência.

De acordo com os documentos do tribunal, o co-conspirador está sofrendo de uma doença cognitiva grave, então o FBI não solicitou um mandado de prisão “neste momento”.

A acusação dizia que a conspiração começou em março de 2001, após três dias de reuniões realizadas em um quarto de hotel de Hong Kong com pelo menos cinco funcionários da inteligência chinesa. Durante esses encontros os dois ex-oficiais da CIA forneceram informações ao serviço de inteligência chinês sobre operações da CIA, incluindo “a cobertura usada pelos agentes da agência” e suas identidades.

“Parte da reunião foi capturada em vídeo, incluindo uma parte em que Ma pode ser visto recebendo e contando US$ 50.000 em dinheiro pelos segredos que eles forneceram”, disse o comunicado do departamento de justiça. Os documentos judiciais não deixam claro quem fez a gravação em vídeo da reunião de 2001.

Ma nasceu em Hong Kong e mudou-se para o Havaí em 1968, onde frequentou a escola e a universidade. Ele começou a trabalhar para a CIA em 1982, trabalhando com nível de acesso ultrassecreto. Ele se aposentou da agência em 1989 e foi morar e trabalhar em Xangai até 2001 – quando teria conhecido agências de inteligência chinesas, antes de se mudar para o Havaí.

Uma vez no Havaí, de acordo com os documentos do tribunal, Ma se candidatou a um emprego como linguista contratado no escritório do FBI de lá, revisando e traduzindo documentos. Em abril de 2003, ele teria usado um cartão telefônico pré-pago para contatar seus superiores chineses e atualizá-los sobre seu emprego no FBI.

“Nos seis anos seguintes, Ma regularmente copiou, fotografou e roubou documentos que exibiam marcas de classificação dos EUA, como ‘SECRETO’”, alega o departamento de justiça. A folha de acusações afirma que ele gravou imagens de mísseis americanos e outras tecnologias de armas em um CD-ROM. “Ma levou alguns dos documentos e imagens roubados com ele em suas frequentes viagens à China, com a intenção de fornecê-los a seus encarregados. Ma frequentemente voltava da China com milhares de dólares em dinheiro e presentes caros, como um novo conjunto de tacos de golfe”.

O documento de acusação também dizia que, na primavera de 2019, um funcionário disfarçado do FBI fingindo ser um oficial de inteligência chinês abordou Ma com o pretexto de avaliar como ele havia sido tratado por seus antigos superiores e quanto havia recebido. O agente disfarçado deu a ele US$ 2.000 como uma “pequena demonstração” de agradecimento pela assistência anterior de Ma à China.

O comunicado afirma que Ma se ofereceu para retomar o trabalho para a inteligência chinesa.

Em uma reunião subsequente ocorrida na semana passada, Ma teria aceitado mais dinheiro do agente disfarçado do FBI e “expressou sua vontade de continuar a ajudar o governo chinês e afirmou que queria que ‘a pátria mãe’ tivesse sucesso”. Mas Ma disse que preferia retomar seu trabalho de espionagem somente depois que a pandemia de Covid-19 diminuísse.

“O rastro da espionagem chinesa é longo e, infelizmente, repleto de ex-oficiais de inteligência americanos que traíram seus colegas, seu país e seus valores democráticos liberais para apoiar um regime comunista autoritário”, disse o procurador-geral assistente para segurança nacional, John Demers.

“Essa traição nunca vale a pena. Seja imediatamente, ou muitos anos depois de eles pensarem que escaparam impunes, encontraremos esses traidores e os levaremos à justiça. Para os serviços de inteligência chineses, esses indivíduos são dispensáveis. Para nós, são lembretes tristes, mas urgentes, da necessidade de permanecermos vigilantes”.

Ma deve comparecer ao tribunal, em Honolulu, na terça-feira, e será acusado de conspiração para comunicar informações de defesa nacional para ajudar um governo estrangeiro. Ele enfrenta a pena máxima, de prisão perpétua, se for condenado.

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Redação do Fora!. Ex-agente da CIA preso por supostamente vender segredos para a China. Fora!. Acessado em 18 de agosto de 2020. Disponível em <https://fora.global/2020/08/18/ex-agente-da-cia-preso-por-supostamente-vender-segredos-para-a-china/>.

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Redação do Fora!. (18 de agosto de 2020). Fora!. https://fora.global/2020/08/18/ex-agente-da-cia-preso-por-supostamente-vender-segredos-para-a-china/.

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