Sudaneses protestam um ano após acordo de divisão de poder com exército

Tempo de leitura: 5 minutos
Manifestantes sudaneses gritam slogans no centro da capital do Sudão, Khartoum. Foto: Ashraf Shazly/AFP.

As forças de segurança dispararam gás lacrimogêneo enquanto os manifestantes voltaram às ruas de Khartoum para exigir reformas políticas mais rápidas.

Os manifestantes no Sudão voltaram às ruas por causa do ritmo lento das mudanças um ano depois que um acordo de divisão de poder foi assinado entre os generais do país e um movimento pró-democracia.

Cobertos com bandeiras sudanesas e gritos de slogans pedindo mais reformas, os manifestantes se reuniram na segunda-feira em frente à sede do gabinete na capital, Khartoum, para entregar uma lista de demandas que incluem a eleição de um corpo legislativo.

A Associação de Profissionais do Sudão, uma organização guarda-chuva de grupos pró-democracia que no ano passado liderou protestos implacáveis ​​que levaram à derrubada do presidente Omar al-Bashir, disse no Twitter que as forças de segurança dispersaram violentamente os manifestantes depois que eles exigiram um encontro com o primeiro-ministro Abdallah Hamdok. A associação se recusou a negociar com um representante enviado em lugar do ministro.

Grandes quantidades de gás lacrimogêneo também foram disparadas contra os manifestantes.

Meses de protestos de rua sem precedentes que começaram em dezembro de 2018 forçaram generais do exército a intervir e derrubar al-Bashir em abril de 2019. As manifestações, no entanto, continuaram bem após a queda de al-Bashir, com manifestantes exigindo que o poder fosse entregue a uma administração civil.

Meses de negociações intermitentes culminaram na assinatura de um acordo de divisão de poder entre os militares e o movimento pró-democracia.

“Quando começamos a revolução, foi por causa da economia”, disse Mohammed Abdu, engenheiro e membro da SPA, que ajudou a fechar o acordo com os militares. “E quando o primeiro mártir caiu, o objetivo se tornou justiça para aqueles que perderam suas vidas durante esta revolução”, completou. “Prometemos responsabilizar aqueles que mataram civis. Essa exigência principal ainda não foi atendida.”

Mohammed Ogeil, um ativista político, lamentou que os partidos do establishment envolvidos nas negociações não tivessem uma visão de longo prazo para tirar o país de seus problemas políticos e econômicos. “Eles estavam com pressa para chegar a um acordo”, disse ele. “Eles careciam de espírito nacional e iniciaram negociações com base nos interesses de seus respectivos partidos”.

O trato, conhecido como acordo constitucional e assinado em 17 de agosto de 2019, prevê um corpo governamental conjunto civil-militar com a tarefa de conduzir o país às eleições após um período de transição de 39 meses.

O órgão de governo de 11 membros, denominado conselho soberano, é composto por cinco civis, cinco líderes militares e um civil consensual, acordado por ambas as partes. É chefiado pelo general Abdel Fattah al-Burhan.

Enquanto isso, um gabinete montado pelo primeiro-ministro Hamdok tem a tarefa de gerir o dia-a-dia do país.

Os manifestantes de segunda-feira lamentaram o curso que a transição havia tomado, dizendo que os militares exercem muita influência sobre a liderança civil.

“O curso da revolução deve ser corrigido”, disse o ativista Awatef Ossman, chamando a presença dos militares no governo um “obstáculo claro e específico”.

A perspectiva de uma economia em deterioração, já atingida por décadas de sanções americanas, também pesou na mente das pessoas, com os manifestantes exigindo a organização de uma conferência para tirar o país da atual crise.

“A declaração constitucional foi um acordo para chegar a uma solução política para este país”, disse o analista político Tahir Mutassim. “Já se passou um ano desde que foi assinada e as pessoas que protestavam ainda estão protegendo sua revolução”, completou. “A comunidade internacional é um dos fatores importantes que podem garantir que ninguém atrapalhe essa transição”.

Hamdok pediu apoio político e popular para efetuar reformas.

“O aparelho de estado precisa ser reconstruído, o legado [do antigo regime] precisa ser desmontado e o serviço público precisa ser modernizado e desenvolvido para se tornar imparcial entre os cidadãos, além de eficaz”, disse ele em um comunicado na segunda-feira.

Para citar este artigo, use os padrões abaixo.

ABNT:

Redação do Fora!. Sudaneses protestam um ano após acordo de divisão de poder com exército. Fora!. Acessado em 18 de agosto de 2020. Disponível em <https://fora.global/2020/08/18/sudaneses-protestam-um-ano-apos-acordo-de-divisao-de-poder-com-exercito/>.

APA:

Redação do Fora!. (18 de agosto de 2020). Fora!. https://fora.global/2020/08/18/sudaneses-protestam-um-ano-apos-acordo-de-divisao-de-poder-com-exercito/.

Adaptações na ordem nome-sobrenome, bem como em outros elementos, podem ser necessárias. Se o texto tem co-autores ou se trata de uma tradução, os co-autores/tradutores devem ser revisados manualmente devido a limitações em nosso script.

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*