União Europeia iniciará negociações de emergência na Bielorrússia

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Em um protesto em Minsk, as pessoas carregam pôsteres mostrando fotos de manifestantes supostamente espancados pela polícia, à esquerda, e uma caricatura retratando o presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, ao centro. Foto: Dmitri Lovetsky/AP.

Bloco anuncia videoconferência enquanto a Estônia convoca uma reunião do Conselho de Segurança da ONU devido à “ameaça potencial” à segurança.

Os líderes da União Europeia (UE) realizarão uma videoconferência de emergência sobre o agravamento da crise política na Bielorrússia (Belarus), disseram autoridades do bloco, expressando apoio a um movimento de protesto contra a disputada reeleição do presidente Alexander Lukashenko.

A UE concordou em impor sanções às autoridades bielorrussas que considera responsáveis ​​por supostas fraudes eleitorais e uma violenta repressão aos protestos em massa que se seguiram a uma votação, em 9 de agosto, em que a contagem oficial deu a Lukashenko 80 por cento dos votos. Seus oponentes dizem que a eleição foi fraudada.

“O povo de Belarus tem o direito de decidir sobre o seu futuro e eleger livremente o seu líder”, disse Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, que representa os 27 governos nacionais, ao anunciar a videoconferência para quarta-feira. “A violência contra os manifestantes é inaceitável e não pode ser permitida”, completou.

Ursula von der Leyen, a presidente da Comissão Europeia, saudou a iniciativa, escrevendo no Twitter: “O povo de Belarus precisa de saber que a UE os apoia firmemente e que os responsáveis ​​pelas violações aos direitos humanos e pela violência serão punidos”.

O principal diplomata da UE, Josep Borrell, também pediu na segunda-feira uma “investigação completa e transparente” sobre as denúncias de abuso e maus-tratos de milhares de manifestantes.

Descrevendo um enorme protesto na capital, Minsk, no domingo, como “o maior comício da história moderna de Belarus”, Borrell disse: “Os números absolutos mostram claramente que a população bielorrussa quer mudanças, e quer agora. A UE está ao seu lado”.

Um alto funcionário da UE, falando à Reuters News em condição de anonimato, disse que a reunião de quarta-feira também enviaria uma mensagem à Rússia para não se intrometer na ex-república soviética. Lukashenko acusou os vizinhos europeus de interferirem e disse que o presidente russo, Vladimir Putin, ofereceu “ajuda abrangente” para “garantir a segurança de Belarus”, se necessário.

“A saída da crise é por meio do fim da violência, pela redução da escalada, pelo diálogo e sem interferência externa”, disse a autoridade, sem nomear a Rússia.

A UE não vê a intervenção militar russa na Bielorrússia, um país sem litoral de 9,5 milhões de habitantes, como um cenário provável por enquanto, segundo diplomatas.

O anúncio da videoconferência foi feito no momento em que Lukashenko disse que estava preparado para abrir mão de parte de sua autoridade por meio de mudanças constitucionais que viriam “não sob pressão e nem pelas ruas”, segundo uma transcrição oficial.

O presidente, que está no poder desde 1994, sugeriu que tais emendas pudessem ser submetidas a referendo com a participação da oposição política.

“Venha, sente-se e vamos trabalhar na Constituição. Vamos submetê-la a um referendo”, disse ele enquanto visitava uma fábrica.

Rejeitando os pedidos de nova eleição, Lukashenko disse: “ninguém deve esperar me pressionar a fazer algo”.

Uma importante fonte de notícias independente da Bielorrússia, Tut.by, citou Lukashenko como tendo dito no evento: “A menos que você me mate, não haverá novas eleições”.

Mas Lukashenko teve que encerrar abruptamente o discurso enquanto uma multidão de trabalhadores em greve gritava “Saia!”, de acordo com um vídeo gravado no local.

Reportando de Minsk, Step Vaessen da Al-Jazeera disse que, embora Lukashenko agora pareça ser a favor da redistribuição de poder depois que a Constituição for alterada, este é um processo longo que pode levar anos.

“Muitas pessoas aqui veem isso como um esforço dele para ganhar tempo”, disse Vaessen.

Separadamente, na segunda-feira, uma autoridade britânica disse que o Reino Unido adotaria as sanções da UE contra a Bielorrússia como suas quando as regras do bloco não se aplicassem mais ao final de um período de transição pós-Brexit.

Anteriormente, o ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, Dominic Raab, disse que a reeleição de Lukashenko era “fraudulenta” e que o Reino Unido trabalharia com parceiros internacionais para punir os responsáveis ​​e responsabilizar as autoridades do país.

Enquanto isso, a Estônia convocou negociações do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a situação na Bielorrússia o mais rapidamente possível, por causa da “ameaça potencial” à segurança internacional.

A Estônia, membro da UE e da OTAN, é atualmente um dos 10 membros não-permanentes do conselho.

“Devido à crise política em Belarus e à ameaça potencial à paz e segurança internacionais, a Estônia proporá uma discussão sobre a situação no Conselho de Segurança da ONU o mais rápido possível”, disse o ministro das Relações Exteriores, Urmas Reinsalu, em um comunicado.

“Um dos principais objetivos da Estônia como membro eleito do Conselho de Segurança é garantir o cumprimento do direito internacional e manter as graves violações dos direitos humanos em foco internacional”, disse o comunicado.

A Polônia e os três estados bálticos – Estônia, Letônia e Lituânia – apelaram à realização de novas eleições e ofereceram-se para mediar.

Separadamente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que Washington observaria de perto a “terrível” situação na Bielorrússia.

“É terrível. É uma situação terrível, Belarus. Estaremos acompanhando de perto”, disse Trump na segunda-feira.

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, disse no sábado que os EUA estavam discutindo a situação na Bielorrússia com a UE.

Falando a partir da capital da Polônia, Varsóvia, sua última parada em uma viagem pela Europa Central, Pompeo disse que o objetivo dos contatos dos EUA com a UE era “tentar ajudar o melhor que pudermos o povo bielorrusso a alcançar a soberania e a liberdade”.

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Redação do Fora!. União Europeia iniciará negociações de emergência na Bielorrússia. Fora!. Acessado em 18 de agosto de 2020. Disponível em <https://fora.global/2020/08/18/uniao-europeia-iniciara-negociacoes-de-emergencia-na-bielorrussia/>.

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Redação do Fora!. (18 de agosto de 2020). Fora!. https://fora.global/2020/08/18/uniao-europeia-iniciara-negociacoes-de-emergencia-na-bielorrussia/.

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