China dispara míssil ‘assassino de porta-aviões’ em alerta aos EUA

Tempo de leitura: 8 minutos

Mísseis balísticos foram lançados em resposta às atividades aéreas dos EUA em uma zona de exclusão aérea durante um exercício naval chinês.

A China disparou dois mísseis, incluindo um apelidado de “assassino de porta-aviões”, no Mar da China Meridional, em um alerta aos Estados Unidos enquanto as tensões nas rotas marítimas sobem a novos níveis.

O South China Morning Post relatou hoje que Pequim disparou um míssil balístico de médio alcance, DF-26B, da província de Qinghai, e outro míssil balístico de médio alcance, DF-21D, da província de Zhejiang, na quarta-feira, em resposta às atividades aéreas dos EUA em uma “zona de exclusão aérea”.

Em resposta, Mark Esper, o chefe de defesa dos EUA, disse que a China repetidamente não cumpriu as promessas de agir de acordo com as leis internacionais, observando que o país asiático parece estar exibindo força no Sudeste Asiático.

Os dois mísseis foram disparados na direção da área entre a província de Hainan e as disputadas Ilhas Paracel, acrescentou a publicação, citando uma fonte não identificada.

De acordo com o jornal, um avião espião americano U-2 teria entrado sem permissão em uma zona de exclusão aérea designada pelos chineses na terça-feira, durante um exercício naval de fogo real conduzido pela China no Mar de Bohai, na costa norte.

Em uma postagem nas redes sociais, Liu Xiaoming, embaixador da China no Reino Unido, disse que a medida dos EUA “interrompeu gravemente” os exercícios normais e as “atividades de treinamento” da China.

Zhao Lijian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, descreveu o sobrevoo do avião espião como “ações provocativas”, e pediu aos EUA que parassem.

Os militares da China não vão “dançar ao som dos EUA” nem permitir que os Estados Unidos “causem problemas”, disse o porta-voz do Ministério da Defesa, Wu Qian, na quinta-feira.

Em meio a tensões crescentes entre os dois países, ele disse que a China espera que os Estados Unidos possam tomar medidas práticas para criar uma “atmosfera positiva” para intercâmbios de alto nível entre suas duas forças militares.

O míssil DF-26B, inaugurado oficialmente no início deste mês, é capaz de atingir alvos móveis no mar, tornando-o um “assassino de porta-aviões”, segundo o Global Times.

O porta-voz do ministério da defesa chinês, coronel sênior Wu Qian, teria dito em outra ocasião que o míssil pode transportar ogivas convencionais ou nucleares e é capaz de lançar ataques de precisão em alvos terrestres e marítimos.

Com seu alcance de 4.500km (2.800 milhas), o DF-26 pode atingir o Pacífico Ocidental e o Oceano Índico, além de instalações americanas em Guam, a ilha britânica de Diego Garcia e até a cidade australiana de Darwin.

O chefe do Pentágono, Mark Esper, em um golpe velado contra a China, disse que os Estados Unidos têm a responsabilidade de liderar no Pacífico e “não cederão um centímetro” a outros países que acham que seu sistema político é melhor. A China não cumpriu as promessas de respeitar as leis, regras e normas internacionais, e Pequim quer projetar seu poder globalmente, acrescentou.

“Para fazer avançar a agenda do PCCh, o Exército de Libertação do Povo continua perseguindo um plano agressivo de modernização para conseguir militares de classe mundial até a metade do século”, disse Esper, referindo-se ao Partido Comunista Chinês.

“Isso, sem dúvida, envolverá o comportamento provocativo do Exército de Libertação do Povo nos mares do Sul e do Leste da China, e em qualquer outro lugar que o governo chinês considere crítico para seus interesses”.

O DF-21 foi descrito como um sistema de mísseis balísticos anti-navio, destinado a atacar embarcações em movimento no mar.

Em julho, duas aeronaves dos EUA conduziram exercícios de liberdade de navegação e exercícios militares com seus aliados no Mar da China Meridional, provocando uma resposta raivosa de Pequim.

Falando sob condição de anonimato à Reuters, um funcionário dos EUA confirmou o disparo dos dois mísseis na quarta-feira, acrescentando que uma avaliação está em andamento para determinar o tipo de míssil lançado.

O Pentágono, por sua vez, confirmou o sobrevoo do U-2, acrescentando que a atividade na região do Pacífico estava “dentro das regras e regulamentos internacionais aceitos para voos de aeronaves”.

As notícias sobre os lançamentos de mísseis chegam ao mesmo tempo em que os EUA anunciam que estão colocando 24 empresas e indivíduos chineses em uma “lista negra”, pois, segundo os norte-americanos, fazem parte da construção de ações militares no Mar da China Meridional.

O Departamento de Comércio dos Estados Unidos disse que as duas dúzias de empresas desempenharam um “papel em ajudar os militares chineses a construir e militarizar as internacionalmente condenadas ilhas artificiais no Mar da China Meridional”.

Separadamente, o Departamento de Estado disse que iria impor restrições de visto a indivíduos chineses “responsáveis ​​por, ou cúmplices” de tais ações e aquelas ligadas ao “uso de coerção da China contra requerentes do sudeste asiático para inibir seu acesso a recursos offshore“.

Em julho, Washington disse que poderia punir autoridades chinesas e empresas envolvidas na coerção no Mar da China Meridional depois de anunciar uma postura mais dura, rejeitando as reivindicações de Pequim de recursos offshore como “completamente ilegais”.

A China reivindica praticamente todo o Mar do Sul da China, potencialmente rico em energia, mas Brunei, Malásia, Filipinas, Taiwan e Vietnã também reivindicam partes de uma área, pela qual passam mais de US$ 3 trilhões em comércio a cada ano.

Os EUA acusam a China de militarizar o Mar do Sul da China e de tentar intimidar os vizinhos asiáticos que podem querer explorar suas extensas reservas de petróleo e gás. Navios de guerra dos EUA passaram pela área para, segundo o governo norte-americano, garantir a liberdade de acesso às vias navegáveis internacionais. Isso aumentou o temor de confronto.

Um porta-voz da embaixada da China em Washington condenou as sanções dos EUA como “completamente irracionais” e instou os estadunidenses a revertê-las.

“[Ilhas do Mar da China Meridional] são uma parte integrante do território da China e é totalmente justificado construirmos instalações e colocarmos o equipamento de defesa necessário lá”, disse o porta-voz. “O governo chinês tem firme determinação de salvaguardar sua soberania e integridade territorial”, acrescentou.

Para citar este artigo, use os padrões abaixo.

ABNT:

Redação do Fora!. China dispara míssil ‘assassino de porta-aviões’ em alerta aos EUA. Fora!. Acessado em 27 de agosto de 2020. Disponível em <https://fora.global/2020/08/27/china-dispara-missil-assassino-de-porta-avioes-em-alerta-aos-eua/>.

APA:

Redação do Fora!. (27 de agosto de 2020). Fora!. https://fora.global/2020/08/27/china-dispara-missil-assassino-de-porta-avioes-em-alerta-aos-eua/.

Adaptações na ordem nome-sobrenome, bem como em outros elementos, podem ser necessárias. Se o texto tem co-autores ou se trata de uma tradução, os co-autores/tradutores devem ser revisados manualmente devido a limitações em nosso script.

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*