Cinema Nazista durante a II Guerra Mundial: uma análise do filme “Der Ewige Jude” (“O eterno judeu”)

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Arte: Marcio Vaccari.

O Fora! está completando um ano de existência. A data coincide com o aniversário de fim da 2ª Guerra Mundial. Em 15 de agosto de 1945 o Japão se rende, sendo os documentos de rendição finalmente assinados a bordo do convés do navio de guerra americano USS Missouri, em 2 de setembro de 1945, o que pôs fim à guerra. Para comemorar os 75 anos do fim deste conflito, durante as próximas semanas publicaremos uma série de textos especiais sobre o assunto, elaborados por nossos colunistas.

Este texto pretende refletir sobre uma das muitas películas maldosas produzidas durante a Segunda Guerra Mundial na Alemanha. Trata-se de Der Ewige Jude (O Eterno Judeu, 1940), dirigido por Fritz Hippler. Tal filme foi considerado pelos nazistas como um documentário “pedagógico” sobre os “distúrbios” do judaísmo.

Lançado no UFA-Palast Am Zoo, em Berlim, no dia 28 de novembro de 1940, foi exibido para uma plateia selecionada que incluía representantes do governo e das forças armadas, membros do partido nazista, bem como artistas e cientistas que apoiavam o regime. A “noite de gala” contou com a exibição, como prelúdio, do curta-metragem Ostraum – deutscher Raum (Território Oriental – Território Alemão, 1940) e com uma orquestra que tocou a abertura de Egmont de Beethoven, antes do filme principal (FURHAMMAR; ISAKSSON, 1976, p. 107 a 112 ).

Temos que lembrar que fazia quase treze meses da derrota da Polônia, invadida pelos nazistas em 1 de setembro de 1939, e um ano do decreto de 23 de novembro de 1939, que obrigava os judeus dos territórios poloneses ocupados a usarem a Estrela de Davi (HOBSBAWN, 1995). Quase sete meses após o estabelecimento do gueto de Lodz, segundo maior local fundado pelos nazistas para receber os judeus e romenos na Polônia (ANDRÉ, T., 2018, pp. 44-61). Este sítio foi um dos centros em que foram realizadas filmagens para o documentário em questão.

O Eterno Judeu hoje em dia não é um filme/documentário muito conhecido. Não atrai, atualmente, a mesma atenção acadêmica, por exemplo, que outros filmes de propaganda nazistas como O Triunfo da Vontade (Triumph des Willens, 1935) ou O Judeu Süss (Jew Suss, 1940). Sobre esse último Toby Haggith e Joanna Newman (2005, p. 74)afirmam que “dos filmes de propaganda nazista com uma mensagem antissemita, Jud Suss (Jew Suss, 1940) foi sem dúvida o mais popular e amplamente visto […] A popularidade de Jud Suss contrasta fortemente com as reações de “O Eterno Judeu”.

Além disso, assim como boa parte do acervo nazista, passou, felizmente, a ser considerado como impróprio para exposição após o término da Segunda Guerra. Arquivos cinematográficos que possuem uma cópia da película de Hippler evitam exibi-lo publicamente.

Com a hediondez e intransigência nazista, O Eterno Judeu enfatiza em quase todas as cenas a tese da “inferioridade” judia. Assim, estrategicamente, as tomadas e sequências imagéticas, acompanhadas pelos comentários, “dados”, “explicações” e trilha sonora, tentam fazer com que o espectador consuma todo o material. Claro que devemos considerar que a recepção dessa narrativa é algo subjetivo, particular e condicionado a uma série de preceitos ideológicos anteriores ao próprio filme; portanto, impossível de se medir nesse texto. Dito isso, passamos à descrição do filme.

Já nos créditos da película temos o primeiro “aperitivo” da indigesta mensagem ariana, quando se afirma que os judeus civilizados que residiam na Alemanha dão uma ideia falsa do caráter judeu, acrescentando, mais à frente, que o filme os apresentará “como eles realmente são por detrás de suas ‘máscaras’”. 

Como dissemos acima, as gravações foram, em sua maioria, realizadas na Polônia. São feitas tomadas enquadrando o rosto (close-ups) de alguns judeus, para destacar as características peculiares (homens com barbas enormes e roupas típicas da cultura judaica) em filmagens realizadas no gueto de Lodz. “Olhamos tudo isso”, afirma o locutor, “mas nossos olhos veem agora com mais clareza”, “desta vez nós percebemos que há uma praga por aqui, uma praga que ameaça a saúde do povo ariano”. Assim, o filme/documentário quer passar a mensagem explícita de que eles são um perigo, uma praga, uma ameaça à humanidade (leia-se: povo ariano).

Em outra sequência, o narrador afirma que falta dignidade à vida doméstica judia, pois, “numa linguagem direta, os lares judeus são imundos e descuidados”. Tal mensagem é acompanhada e reafirmada à medida que a câmera entra em uma casa. Ali, são filmadas moscas em uma parede em primeiro plano. Segundo o narrador, os judeus podem manter a si e às suas casas limpas e arrumadas, mas preferem viver de modo contrário.

A imagem das moscas é altamente simbólica – é uma imagem para o subconsciente. Afinal, ela passa a mensagem de que os judeus não são apenas sujos. Podemos ir um pouco além: tal tomada associa os judeus a transmissores de doenças, reforçando a ideia da praga/peste judia. Também não podemos deixar de mencionar que os nazistas, alguns meses mais tarde à exibição do filme, utilizaram o pesticida Zyklon B para “solucionar” o “problema” judaico.

Na sequência da película as ruas entram em cena, pois “toda vida comunitária tem lugar na rua”, ressalta o locutor e, de cara, nos deparamos com pessoas envolvidas em alguma discussão grosseira. Essa sequência foi o prelúdio para o narrador afirmar que os judeus raramente trabalham e, quando o fazem, é sob pressão: “raramente os judeus são vistos fazendo algo útil. E quando fazem, como aqui, geralmente não é voluntário”.

Desse modo, querem reforçar a ideia de que os judeus são preguiçosos e ingratos. Isso, na concepção nazista, era mais um “elemento justificador” para impor os trabalhos forçados a essa etnia: “parece que eles não estão acostumados e nem gostam de trabalhar”. O filme passa a mensagem de que, ao invés de trabalharem, os judeus passam o tempo todo pechinchando. Como se o comércio não fosse um trabalho, ou como se todo comerciante fosse judeu.

Postas essas observações, são feitas tomadas em um comércio de rua, onde aparecem pessoas ilustrando a imagem vulgar do judeu negociante. Nesse ambiente ouvem-se vozes excitadas falando iídiche, com um fundo musical ariano, dando uma conotação de drama e distanciamento. Aparecem, nessa sequência, crianças negociando, “orgulhosas de serem como os adultos”. Concomitantemente, o narrador afirma que “estes jovens não têm o idealismo que nós [arianos] temos”. Ou seja, as crianças judias não são como as “superiores” crianças alemãs.

Segundo o locutor, não existe, para os judeus, outra coisa além do dinheiro e da corrupção. Para sustentar essa afirmação o documentário mostra um camelô com sua mercadoria e, logo depois, etapas de um contínuo desenvolvimento econômico, chegando inclusive às casas bancárias e luxuosas residências. Recorrendo à fala do próprio filme, “é assim que os judeus começam, e logo conseguem um sortimento razoavelmente bom”. O filme chega, para forçar essa visão, a recorrer a interpretações distorcidas de passagens da Torá – usada, por exemplo, quando se afirma que “sua religião faz da vigarice e da usura uma obrigação”.

Após essa passagem o ataque aos judeus se concentra em outra área. Nessa nova frente o locutor afirma que “quando chegam a um número muito elevado num lugar eles se mudam para outra parte do mundo. Precisam de um mercado e não são produtores”. Neste momento, Hippler traz um mapa mostrando suas origens e a distribuição desta etnia nos anos 1940. Evidentemente que, conforme o mapa ia sendo ocupado pelos judeus, frases preconceituosas iam sendo vomitadas. Mas a essência da “tese” se baseava no fato de que são eternos hóspedes indesejáveis das nações, independentemente do local em que se estabeleciam.

Os argumentos de que são um problema onde se instalam prosseguem, pois, segundo o narrador, “os judeus não têm utilidade para a sociedade, são uma raça de parasitas”, visto que “os judeus são um povo sem camponeses e trabalhadores, um povo parasita”. Na sequência é feita mais uma analogia entre o judeu e o rato marrom. Segundo o filme ambos possuem similar origem asiática, bem como ambos se espalharam pela Europa (mapa e primeiro plano de um fervilhante exército de ratos). Nesse ínterim são feitos comentários: “eles transmitem doenças” e “são repelentes, covardes e se movimentam em bandos” e, ainda, “eles (os ratos) representam os elementos da dissimulação e destruição subterrânea entre os animais, da mesma maneira que os judeus fazem na humanidade”. Dito isso, a câmera volta para o meio dos judeus, rostos na multidão, no gueto de Lodz.

Para complementar e reforçar ainda mais a ideia de que os judeus são perigosos parasitas o filme exibe judeus criminosos e dados estatísticos sobre a criminalidade. Evidentemente que essas pessoas são marcadamente judias, pois assim, para além da periculosidade, também é possível marcar a “superioridade ariana” – afinal, dentro desta distorcida concepção: “as fisionomias tornam sem sentido a teoria da igualdade”.

Nesse sentido, o filme ainda afirma que judeus “civilizados”, isso é, aqueles que vivem nos padrões da alta sociedade europeia, são também elementos estranhos. Para sustentar essa afirmação o documentário destina um longo trecho à família Rothschild, destacando suas questionáveis lealdades, sua manipulação com os governos e seu aproveitamento das guerras. Nesse bojo, são mencionados uma série de judeus influentes (financistas, estadistas, artistas, cientistas e intelectuais) que devem ser “desmascarados”.

Porém, segundo o documentário, o maior perigo nos judeus é quando eles tentam perverter a arte e a religião. Nesse ponto, a película recorre ao legado cultural europeu quando exibe um templo grego, esculturas clássicas e rostos góticos, dando ênfase a O nascimento de Vênus, de Botticelli com, ao fundo, um coral de Bach como trilha sonora. O locutor afirma que os judeus não conseguem alcançar o “conceito” ariano de beleza, dando vazão à sua natureza de “mau gosto” como o cubismo, o expressionismo e o jazz. De acordo com o narrador “os judeus haviam decidido o que podia ser considerado arte e cultura”. Ainda afirma que a indústria cinematográfica e os jornais na Alemanha eram um parque de diversões para os intelectuais judeus.

Quanto à religião (fundo musical de Bach novamente), o filme trabalha com a ideia de que a cristandade erroneamente nos legou uma imagem falsa da raça judia, pois “o falso dogma da igualdade humana enganou o instinto saudável da nação”. Nesse sentido, na perspectiva do filme, “temos que corrigir essa impressão”, passando, na sequência, para uma pequena “demonstração” sobre a religião deste povo.

O filme exibe comerciantes atuando dentro de uma sinagoga. Os rabinos são adjetivados de “mestres na arte da hipocrisia” e doutrinadores políticos: “os rabinos não são teólogos pacíficos, mas sim educadores políticos”. Hippler conclui: “isto não é uma religião! É uma conspiração contra todos os não-judeus, por um povo doente, enganador e venenoso, contra os arianos e suas leis morais”.

Para finalizar, o documentário ainda trabalha com a tese de que os judeus não são um perigo apenas para a humanidade, mas também para os animais. Nesta parte, Hippler pede, em um letreiro, que todas as pessoas sensíveis deixem o local, pois serão exibidas “filmagens originais” sobre a matança de animais no “ritual judeu”. Assim, são mostradas cenas de açougueiros matando vacas e limpando o sangue da faca com a mão. Em outra tomada uma pessoa mexe dentro da vaca viva para que o coração bombeie o sangue mais rapidamente.

São mostrados açougueiros rindo dos animais morrendo enquanto se remexem em poças de sangue. Logo depois são exibidos recortes de jornais mostrando a campanha dos nacional-socialistas contra a matança ritual, e dos jornais liberais e socialistas defendendo a prática judia. Essa foi a deixa para exibirem um discurso de Hitler, realizado no Reichstag, no dia 30 de janeiro de 1939. Na ocasião ele afirma que “se os judeus mergulharem o mundo numa nova guerra, não será o fim do mundo, mas será o fim dos judeus”. Estamos frente a frente com Hitler e seu povo: rostos arianos, jovens, belos e atentos; filas de rostos decididos contra um céu ao fundo. As SS e SA desfilando em Nuremberg. “Com esse espírito”, dizem os “versos” finais do documentário, a “nação alemã está marchando para o futuro”. Encerrando com símbolos: bandeiras e estandartes enormes.

Como é sabido, o Ministério da Propaganda, comandado por Goebbels, era cauteloso com propaganda de teor antissemita no cinema. Filmes com essa temática, como Die Rothschilds (Os Rothschilds) e o notório Jud Süss (O judeu Süss), ambos lançados em 1940, não foram gravados antes da deflagração da guerra e, geralmente, as menções ao antissemitismo eram cortadas das edições das películas nazistas destinadas a distribuição no estrangeiro (FURHAMMAR; ISAKSSON, 1976, p. 107 a 112). Sabemos que O Eterno Judeu foi exposto nos países ocupados, como a França, onde adotou o título Le Péril juif (O perigo judeu), e a Holanda. Nesse último país houve um decreto, de número 121, datado de 22 de agosto de 1941, que obrigava a exibição do filme em todos os cinemas até 30 de abril de 1942 (PRESSER, J.; PRESSER J., 1988, p. 72).

A persistente mensagem de O Eterno Judeu pode ter provocado sensações dúbias em alguns alemães. Mas a maioria dos que já haviam sido doutrinados pelo regime, provavelmente, não pensou duas vezes: os judeus eram perigosos tanto para a Alemanha como para a supremacia ariana.

Para determinar o efeito de O Eterno Judeu como filme propagandístico é necessário situar o que ele ambicionava. Para além do explícito culto ao arianismo, acreditamos que há um objetivo oculto. Toda a “documentação” serviria para justificar (se é que é possível justificar tal ato) o genocídio que estava sendo planejado por Himmler e Eichmann, e que começou poucos meses depois na Europa Oriental (Taylor, pp. 174-186).

Baseados nos apontamentos de Hannah Arendt (1999) levantamos uma questão externa ao filme, será que o Eichmann era tão relevante assim para o planejamento do holocausto? Sabemos que isso é um tema polêmico, mas segundo essa pensadora, ele era apenas um burocrata voraz por promoções, agarrado às suas tarefas, que não ponderou sobre suas ações. Aliás, ele nem tinha a competência intelectual para ponderar as normativas e comandos que lhe eram conferidas dentro de uma conjuntura humanitária. Segundo Arendt, aí está a banalidade do mal, isso é, no cumprimento de ordens sem medir os resultados, em se tornar um mecanismo banal, seguindo um caminho que nos aparta de qualquer noção de humanidade, da nossa faculdade de pensar, dando valor unicamente a nossa submissão cega. Por fim, quantas vezes a obediência é reconhecida como qualidade?

Feito esse breve parênteses, voltamos ao filme/documentário. Toda a prédica de O Eterno Judeu funciona a partir da máxima de que a etnia judaica consiste em uma forma parasitária e inferior de humanidade. Vale lembrar que essa concepção já era familiar ao nazismo, expressa, por exemplo, na publicação de Mein Kampf (HITLER, 1939).

Dito isso, concluímos que a película de Hippler só pode ser classificada como mais uma produção, dentre as inúmeras realizadas por esse regime, em que as informações sobre o povo judeu eram fraudulentas, distorcidas e manipuladas; o que também ocorria com diversos outros grupos que eram mal vistos para os fins últimos da grande nação ariana, a ser erguida. Assim, essas produções serviram para reafirmar a doutrinação da ampla plateia, tanto dos seus apoiadores quanto daqueles que estavam em processo de convencimento sobre as ações e medidas desse regime de horrores, como o genocídio judeu.

REFERÊNCIAS:

ANDRÉ, Thaily Viviane. As crianças no gueto de Łódź: vidas e mortes no segundo maior gueto judeu da Polônia ocupada, 1941-1944. 2018. Dissertação (Mestrado em Letras) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2018.

ARENDT, Hannah, Eichmann em Jerusalém, Um relato sobre a banalidade do mal. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.

DER EWIGE JUDE. Direção: Fritz Hippler. Produção de Deutsche Film Gesellschaft. Alemanha: Terra, 1940.

FURHAMMAR, Leif; ISAKSSON, Folke. Cinema e Política. Rio de Janeiro/RJ: Paz e Terra, 1976.

HAGGITH, Toby; NEWMAN, Joanna. Holocaust and the Moving Image: Representations in Film and Television Since 1933. Wallflower Press, 2005.

HITLER, Adolf. Mein Kampf.London, New York, Melbourne: Hurst and Blackett, 1939.

HOBSBAWN, Eric. A Era dos Extremos: o breve século XX. 1941-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

OSTRAUM – Deutscher Raum. Direção: Werner Buhre. Produção de Universum Film (UFA). Alemanha, 1940.

PRESSER, Jacob; PRESSER, Jacques. Ashes in the Wind: The Destruction of Dutch Jewry. Wayne State University Press, 1988.

TAYLOR, Richard. Film Propaganda: Soviet Russia and Nazi Germany, I.B.Tauris, 2006.

TRIUMPH DES WILLENS. Direção Leni Riefenstahl. Produção de Universum Film (UFA). Alemanha, 1935.

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ABNT:

João Paulo Charrone. Cinema Nazista durante a II Guerra Mundial: uma análise do filme “Der Ewige Jude” (“O eterno judeu”). Fora!. Acessado em 27 de agosto de 2020. Disponível em <https://fora.global/2020/08/27/cinema-nazista-durante-a-ii-guerra-mundial-uma-analise-do-filme-der-ewige-jude-o-eterno-judeu/>.

APA:

João Paulo Charrone. (27 de agosto de 2020). Fora!. https://fora.global/2020/08/27/cinema-nazista-durante-a-ii-guerra-mundial-uma-analise-do-filme-der-ewige-jude-o-eterno-judeu/.

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