Conflito entre Armênia e Azerbaijão cria temor de guerra na Ásia

Tempo de leitura: 6 minutos
Artilharia armênia na fronteira de Nagorno-Karabakh. Foto: Reuters/arquivo.

Reservistas do Exército da Armênia foram solicitados a se apresentarem aos seus escritórios locais de alistamento logo depois que as forças de seu país e do Azerbaijão travaram combates pesados ​​ao longo da fronteira contestada de Nagorno-Karabakh.

A convocação para o alistamento nacional e a lei marcial foram anunciadas pelo primeiro-ministro, Nikol Pashinyan, no início deste domingo. Sua postagem no Facebook pediu aos reservistas que comparecessem a seus escritórios de recrutamento territorial “pelo bem de nossa pátria e pela vitória”.

O apelo às armas e à lei marcial será posto em prática porque o Azerbaijão pode decidir atacar a Armênia, esclareceu o primeiro-ministro em um discurso à nação no final do dia.

Composto por cerca de 44.000 soldados em serviço ativo, os militares armênios contam com uma reserva permanente de 210.000 soldados. No país, que tem pouco menos de 3 milhões de habitantes, todos os homens são legalmente obrigados a prestar serviço militar. Os armênios que completaram o serviço militar têm a obrigação de se tornarem soldados em tempo de guerra até a idade de 50 anos. Os oficiais são obrigados a permanecer na reserva até completarem 60 anos.

O chamado às armas ocorre logo após o início de intensos combates ao longo da fronteira de Nagorno-Karabakh, um território disputado entre a Armênia e o Azerbaijão. Ambos os lados relataram vítimas civis e culparam-se mutuamente pelo início das hostilidades, que envolveram bombardeios de artilharia, bem como o uso de aeronaves de combate e blindados.

No início do dia, os militares do Azerbaijão relataram a captura de vários locais estratégicos e assentamentos ao longo da linha de frente. A declaração, no entanto, foi rapidamente negada pelos armênios.

Enquanto isso, o governo do Azerbaijão disse que não vê necessidade de seguir o processo da Armênia emitindo uma chamada de mobilização total. Os reservistas podem ser convocados pelo exército, mas “não há essa necessidade” no momento, afirmaram os oficiais militares azeris.

Embora Nagorno-Karabakh seja povoado e administrado por armênios étnicos, Baku considera a região como parte do Azerbaijão. Ambos os lados travaram uma guerra na década de 1990, desencadeada pela decisão de Nagorno-Karabakh de se separar do Azerbaijão após a dissolução da URSS. No início do domingo, a região separatista também declarou a lei marcial e mobilizou sua população masculina.

Entenda o histórico da região

A contestada região de Nagorno-Karabakh é um pedaço de terra montanhoso e com densas florestas, e está no centro de um impasse armado de décadas entre os vizinhos Armênia e Azerbaijão.

De acordo com o direito internacional, Nagorno-Karabakh é reconhecida como parte do Azerbaijão. Mas os armênios étnicos, que constituem a grande maioria da população, rejeitam o domínio azeri. Eles estão cuidando de seus próprios assuntos, com o apoio da Armênia, desde que as forças do Azerbaijão foram empurradas para fora após uma guerra na década de 1990.

Os confrontos deste domingo geraram temores de que a disputa possa se transformar em uma guerra total.

O status da região é disputado pelo menos desde 1918, quando a Armênia e o Azerbaijão se tornaram independentes do império russo.

No início dos anos 1920, o domínio soviético foi imposto no sul do Cáucaso e o Nagorno-Karabakh, predominantemente povoado por armênios, tornou-se uma região autônoma na então República Soviética do Azerbaijão, com a maioria das decisões sendo tomadas em Moscou.

Mas, décadas depois, quando a União Soviética começou a desmoronar, tornou-se claro que Nagorno-Karabakh ficaria sob o domínio direto do governo na capital do Azerbaijão, Baku. Os armênios étnicos, que constitum a maioria da população local, não aceitavam isso.

Em 1988, a legislatura de Nagorno-Karabakh votou pela adesão à República Armênia, uma demanda fortemente contestada tanto pelo governo soviético do Azerbaijão quanto por Moscou.

Após o colapso da União Soviética, em 1991, separatistas armênios apoiados pelo governo de Yerevan (capital da Armênia) tomaram o território, lar de uma minoria azeri significativa, bem como sete distritos azeris adjacentes.

Pelo menos 30.000 pessoas foram mortas e centenas de milhares foram forçadas a deixar suas casas durante o conflito.

Apesar de um cessar-fogo mediado internacionalmente, acordado em 1994, as negociações de paz estagnaram e os confrontos eclodem frequentemente em torno de Nagorno-Karabakh e ao longo da fronteira Azerbaijão-Armênia.

Em abril de 2016, dezenas de pessoas de ambos os lados foram mortas no conflito mais sério em Nagorno-Karabakh nos últimos anos.

Os últimos confrontos, neste domingo, também deixaram ambos os lados com vítimas, incluindo civis.

Eles ocorreram após um espasmo de violência ao longo da fronteira entre o Azerbaijão e a Armênia em julho, que matou pelo menos 17 soldados de ambos os lados.

O conflito de longa duração preocupa a comunidade internacional, em parte por causa de sua ameaça à estabilidade em uma região que serve como um corredor para oleodutos que levam petróleo e gás aos mercados mundiais.

Para citar este artigo, use os padrões abaixo.

ABNT:

Redação do Fora!. Conflito entre Armênia e Azerbaijão cria temor de guerra na Ásia. Fora!. Acessado em 27 de setembro de 2020. Disponível em <https://fora.global/2020/09/27/conflito-entre-armenia-e-azerbaijao-cria-temor-de-guerra-na-asia/>.

APA:

Redação do Fora!. (27 de setembro de 2020). Fora!. https://fora.global/2020/09/27/conflito-entre-armenia-e-azerbaijao-cria-temor-de-guerra-na-asia/.

Adaptações na ordem nome-sobrenome, bem como em outros elementos, podem ser necessárias. Se o texto tem co-autores ou se trata de uma tradução, os co-autores/tradutores devem ser revisados manualmente devido a limitações em nosso script.

One Comment

  1. Pingback: Conflito entre Armênia e Azerbaijão cria temor de guerra na Ásia - Notícias Socioambientais das águas no Brasil

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*